|
|
|
Cães que comem cocô e lixo
 Quando
um cão começa a comer fezes, ou o lixo da casa, raramente o dono deste cão
consegue lidar com isso de forma razoável. Ele vê tais comportamentos com um
olhar absolutamente corrompido por preconceitos e nojos, esquecendo-se que
estamos falando de um cão e não de um ser humano. Tal raciocínio raramente
leva em consideração que existem aspectos fisiológicos e comportamentais que
podem levam o cão a tal comportamento.
Bem, a primeira coisa que precisamos considerar é que cães são animais
que comem carniça. Não sendo grandes caçadores eles, em sua vida selvagem,
comumente vivem dos restos da caças de outros animais. Portanto, os canídeos
têm um organismo apto a comer e digerir alimentos em decomposição, ou mais
popularmente “podres”. Nesta linha, o cocô humano, canino, e mesmo o lixo
doméstico estão dentro deste cardápio. É preciso, porém, saber diferenciar
cada situação, e tomar as atitudes necessárias para resolver o problema ao
invés de simplesmente olhar feio e reclamar.
Para um animal que come carniça, o lixo doméstico é uma fonte de
grande variedade de alimentos. Um verdadeiro buffet! E se considerarmos a
quantidade de condimentos e temperos que costumamos usar em nossa comida,
não é difícil entender porque o lixo atrai tanto a atenção do cão. Ele não
come o lixo por estar com fome! Ele ataca o lixo porque é isso que o seu
instinto de sobrevivência manda fazer. A melhor solução nestes casos é
comprar um lixo cuja tampa possa ser rosqueada, e portando seu cão não
conseguirá abri-la.
O caso de cães que comem cocô humano, em calçadas e praças, vai
quase na mesma linha. Apesar de muito decompostos, os alimentos presentes
nas fezes humanas ainda são muito nutritivos e atraentes para um cão. Aqui
não há muito jeito! Se você sabe de um lugar que as pessoas costumam usar
como banheiro, e seu cão gosta de cocô humano você terá que mudar o local de
passeio com seu cão, ou não soltá-lo da guia.
Já o caso do cão que come fezes caninas é um caso um pouco diferente. O
nome científico é coprofagia. Tal sintoma pode ser determinado por
vários aspectos tanto comportamentais como fisiológicos. Alguns deles já
foram comentados na matéria sobre
Coprofagia
escrita pela adestradora Claudia Pizzolato. Porém, outros fatores também
bastante importantes devem ser avaliados.
Vermes e
Giárdia
Se o cão estiver com vermes ou com giárdia ele pode ter mais dificuldade
em absorver os nutrientes do ração que você dá a ele, fazendo com que ele
precise comer o próprio cocô para complementar sua alimentação. Mesmo que
seu cão já tenha sido vermifugado, é possível que ele tenha vermes, já que o
vermífugo elimina os vermes que estão no organismo no momento em que o
remédio é ministrado. Ele não é preventivo! E é exatamente por tal razão é
que temos que dar vermífugos regularmente para os cães. O grande problema é
que os vermífugos não combatem protozoários, portanto se o seu cão estiver
com giárdia, o vermífugo não resolverá o problema. O mais indicado neste
caso é fazer um exame de fezes no cão para saber exatamente se existe
algum verme ou protozoário, e então ministrar o remédio específico para o
caso.
Fatores
comportamentais
É muito comum que ao tentar ensinar o filhote a fazer cocô no lugar
certo, o dono erre na mão e acabe por passar ao filhote que o fato dele
“fazer cocô” é ruim e desagrada ao seu dono, invés de “fazer cocô no local
errado” ser ruim. Isto acontece normalmente quando o dono, ao ver o filhote
fazendo cocô no lugar errado, briga com o ele, sem conseguir mostrar que se
ele fizesse o cocô no lugar certo ele seria elogiado. Isso pode acontecer
tanto por falta de rapidez – ou atenção – deste dono, ou quando o cão é
pequeno e faz o cocô muito rapidamente. Então não há tempo para se colocar o
filhote no local certo.
Há também a situação em que o dono se depara com o cocô já feito e briga
com o filhote. Neste caso, não é incomum que o filhote resolva “sumir com as
provas do crime” para não ouvir bronca. Ou seja: só brigar não adianta, e
pode até piorar tudo! Ou você age da forma correta, pegando o cão enquanto
ele estiver fazendo o cocô e coloca-o no lugar certo, ou deixa pra lá! Limpe
o cocô sem broncas ou resmungos. Ah! E não se esqueça de elogiar muito seu
filhote quando ele fizer o cocô no lugar certo Também não é demais lembrar
que o filhote, não tendo noção de tempo, muitas vezes nem sabe que aquele
cocô no tapete é obra dele, mas certamente ele sabe que quando seu dono vê
aquele montinho, a bronca sobra para ele.
A nossa parte nesta
estória:
Muitas vezes, ao tentarmos resolver o problema da coprofagia acabamos por
incentivá-la - sem perceber. Algumas raças - tais como o lhasa apso e o shih tzu
- têm tendência a comerem o próprio cocô. E não é incomum que o dono, ao se
deparar com o cocô comido, brigue com o cão - até como uma forma de desabafar
seu desaponto com o cãozinho. O problema é que este tipo de reação do dono gera
muita confusão. Em primeiro lugar, não é difícil imaginar que o cão pode
entender esta bronca não ao fato dele comer cocô - já que ele não tem
consciência de que este hábito possa causar tanto asco nos humanos - e sim ao
fato do cocô estar ali. Com isso, temos duas consequências: 1)
o cão começa a comer o cocô para evitar que vc se chateie por
achar cocô na casa; 2) estas broncas "sem motivo aparente" costumam deixar o
filhote tremendamente ansioso, o que costuma provocar mais comportamentos
compulsivos, tais como comer cocô. Em suma: quanto mais vc se incomoda com o
problema, mais ele aumenta
Indicações:
Como já vimos acima, a coprofagia pode ser determinada por muitos fatores, e
não existe uma mágica que faça tal comportamento desaparecer. Sem se analisar o
que exatamente está causando tal sintoma, uma atitude errada pode não ter efeito
algum, ou mascarar o real problema. Portanto, antes de qualquer medida,
converse com o veterinário de sua confiança e faça um exame nas fezes de seu cão
para eliminar os fatores físicos.
Não podemos deixar de comentar de filhotes que brincam com o cocô.
Normalmente estes filhotes não têm brinquedos que de fato os interessem, então
eles procuram outras distrações. A questão aqui é olhar com mais atenção para
saber que tipo de distração seu filhote gosta, e fornecê-la a ele. Nem sempre
adivinhamos que tipo de brinquedos um filhote irá gostar. O que pode ser muito
atrativo para um cão, pode não fazer o menor sucesso com o outro. Portanto, aqui
a solução é sempre trazer novas alternativas, não se limitando a bichinhos de
borracha e bolinhas.
Existe um Floral de Bach chamado CRAB APPLE indicado para casos de coprofagia.
Este floral deve ser ministrado diretamente na boca do cão, ou pingado em algum
petisco canino, que o cão deve comer imediatamente. Dê 4 doses diárias de 4
gotas por 5 dias. A partir daí comece a diminuir uma dose por dia. Se o
comportamento voltar, ao se diminuir as doses, passe a dar as 4 doses diárias
novamente por mais 5 dias, diminuindo então uma dose por dia. Em casos de cães
de raças grandes cada dose deve ser de 6 dotas
Normalmente o cão come o cocô imediatamente
após tê-lo feito. É quase um ato reflexo: ele faz e come, portanto se vc puder
ficar de olho no seu cão para pegá-lo no ato, ótimo: assim que ele acabar de
fazer cocô, distraia-o! DÊ um petisco, ou brinque com ele para que ele "se
esqueça" do cocô. Assim vc desconecta os dois atos. Se você, no entanto, só
percebe a coisa quando já aconteceu, não dê muita importância. Ao se
deparar com um cocô (comido ou não) recolha-o e - se possível - felicite seu
cão. Com tal atitude vc fará com que ele deixe de ter medo que vc encontre o
cocô dele , e muitas vezes só isso pode acabar com o problema da coprofagia.
Se vc tem nojo de brincar com seu cão, quando ele come cocô, dê um biscoito
canino para ele antes de voltar a brincar. Estes biscoitos são feitos para
limparem os dentes dos cães e com isso fazem as vezes de uma escova de dentes.
Há, inclusive, bolachas com hortelã especialmente feitas para acabar com o mau
hálito dos cães.
Boa sorte!
Maíce Costa Carvalho, adestradora
maice@dogtimes.com.br
|
|
|
|
Fale
com a Gente

|