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A heróica história do São Bernardo Em
1050 foi criado em Valais, Suíça(no desfiladeiro do Grande São Bernardo), a 2472 metros
de altitude, a Pousada do Grande São Bernardo, para garantir a segurança dos viajantes.
Mas os cães só chegaram em 1660, doados aos frades pelos nobres dos arredores, para que
os protegessem dos bandidos.
Em 1700, já tinham
sido treinados para ajudarem na preparação da comida, utilizando um engenhoso mecanismo:
ao acionarem uma roda, caminhando sobre ela, faziam girar um espeto. Cinqüenta anos
depois, começaram a ser utilizados para guiar os viajantes, que atravessavam o
desfiladeiro do Grande São Bernardo durante a época de inverno. Assim começou sua
gloriosa história.
O
Famoso Barry
O São Bernardo pode
abrir sulcos na neve com o peito, mas nunca levou no pescoço o famoso barrilzinho de
álcool que, em tantas ilustrações lhe foi colocado. Verdadeiros cães de avalanche,
deviam indicar, escavando na neve, o lugar em que estava soterrada uma vítima ainda viva;
se a pessoa tivesse morrido, só precisavam sentar-se. O frade encarregado do treinamento
chamava-se marronnier.
Alguns cães dedicavam-se a outras tarefas, por exemplo, eram ensinados a usar uma pequena sela acolchoada com 2 recipientes tampados, um de cada lado; assim equipados, iam com um empregado buscar leite e manteiga.
Foi neste ano que nasceu Barry, o mais ilustre de todos os São Bernardo. A sua abnegação não tinha limites. Se encontrava uma criança em apuros, lambia-a e fazia com que ela se agarrasse nele. Quando sentia que um home estava em perigo, corria para ajudá-lo. Barry salvou 40 pessoas. Em 1812, enviaram-no para Berna, a fim de aproveitar uma merecida aposentadoria. Morreu 2 anos depois. Seu corpo foi embalsamado e pertence ao Museu de História Natural de Berna e a ele foi erguida uma estátua no cemitério de cães de Asnières. A bela página que Chateaubriand dedicou aos cães no seu Génie du Christianisme, talvez tenha sido uma homenagem a Barry e a todos os São Bernardo. Desde então, dá-se no nome de Barry, que vem de bär - urso em alemão - ao melhor macho do canil da Pousada. Mas existiram outros cães que passaram à posteridade, como, por exemplo, Turc, que certa vez, depois de várias horas de luta para se libertar da neve de uma avalance voltou ao refúgio para avisar os frades do ocorrido. Barry II, também muito valente, ia sempre na frente da coluna de socorro. Os viajantes, esgotados, agarravam-se a uma corrente presa à sua coleira. Um dia, um deles colocou-lhe no pescoço a sua gravata, fazendo as vezes de uma mensagem; Barry II corrou para a Pousada para pedir ajuda e, chegando lá, deitou-se com a cabeça virada para o local onde era preciso ir. Este cão desapareceu em 1905, numa fenda oculta pela neve. Barry III, foi outro cão de grande coragem, com um faro e uma eficácia extraordinária. Também morreu em serviço, ao precipitar-se por um barranco. O seu corpo foi embalsamado e está exposto na Pousada. Nesta lista de São Bernardos famosos, também inclui-se Lion, que um dia, acmpanhando um frade na busca de um homem que se perdera, descobriu-o, meio gelado, na cabana em que se havia refugiado. Um Passado Glorioso Com o tempo, a fama dos São Bernardos espalhou-se por toda a Europa e eram assunto até nos meios mais importantes. No entanto, os cães passaram por maus momentos; primeiro, foram praticamente dizimados por uma epidemia; depois, foi um criminoso que tentou envenená-los; em 1810 e 1816 as avalanches vitimaram muitos marronnier, mas ao que parece, nenhum cão. Entretanto estourou a polêmica sobre o comprimento do pêlo do São Bernardo: devia ser longo ou curto? Como na Pousada sempre se preferira o pêlo curto, por reter menos neve, o primeiro canil de São Bernardos de raça pura, do suíço Henri Schumacher, optou pelos cães de pêlo curto.
Hoje em dia, os São Bernardos da Pousada passam o inverno em Martigy, no vale, e sobem para o desfiladeiro em meados de junho. Contando com cerca de 20 adultos, estão instalados num canil espaçoso e confortável e correm pelo parque anexo pela manhã e à tarde. O glorioso passado da raça está descrito numa brochura da autoria do cônego Marquis - Les Chiens du Grand-Saint-Bernard et leus sauvetages. Texto extraído da coleção: Nossos Amigos, os Cães
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