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Principais espécies
de carrapatos encontrados em cães no Brasil
No mundo todo existe um
grande número de espécies de carrapatos adaptados a se alimentar de sangue de
répteis, aves e mamíferos, e conseqüentemente os cães são alvos freqüentes de
carrapatos. No Brasil encontram-se dois gêneros parasitando os cães:
Rhipicephalus e Amblyomma. Cada grupo com características distintas
de biologia e medidas de controle.
O ciclo-de-vida dos
carrapatos, independentemente da espécie, possui três estágios: larva, ninfa e
adulto. O ato de se alimentar de sangue (hematofagia) ocorre necessariamente
em todos os estágios e a muda (ou ecdise), processo pelo qual a proteção
externa (exoesqueleto) é substituída com a finalidade de permitir o
crescimento do corpo, ocorre fora do corpo do cão, ou seja no ambiente (solo,
frestas, etc). Portanto em cada fase da vida o carrapato precisa se desprender
do cão, cair no solo, se diferenciar no estágio seguinte e novamente subir no
hospedeiro.
As larvas são caracterizadas
por apresentarem 3 pares de pernas, enquanto que as ninfas e adultos
apresentam 4 pares de pernas. Os adultos são diferenciados das ninfas por
apresentarem próximo às pernas uma abertura na fase mediano-ventral denominada
de abertura genital, já que apenas nesta fase eles estão aptos a se
reproduzir. Os carrapatos machos adultos são identificados por possuírem o
escudo protegendo totalmente a superfície dorsal do animal e na fêmea
(Figura 1) este escudo protege parcialmente a superfície dorsal,
aparecendo apenas no primeiro terço do corpo.

Figura 1: Fêmea adulta
ingurgitada da espécie Amblyomma cajennense.
A seta indica o detalhe do escudo ornamentado
Fonte: http://icb.usp.br/~marcelcp/Imagens/carr21.jpg
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Figura 2: Larvas de
Amblyomma
cajennense em tocaia
Foto: Acervo de Ricardo R. Cabrera |
Carrapatos Nativos
O gênero Amblyomma
compreende os carrapatos nativos que parasitam os cães acidentalmente, pois
seus hospedeiros naturais são animais silvestres. Portanto eles são
encontrados em cães que vivem ou freqüentam áreas de mata ou áreas rurais e
suburbanas. Estes carrapatos possuem hábito de tocaia, ou seja, quando estão
prontos para se alimentar vão para a ponta da vegetação com a finalidade de
se fixar no hospedeiro (Figura 2).
Nos terrenos baldios e
parques de ambientes urbanos é possível encontrar algumas espécies parasitando
cães, como por exemplo a fase adulta do Amblyomma aureolatum, que é
encontrada parasitando cães no campus da USP na cidade de São Paulo e
Amblyomma cajennense em áreas com vegetação frequentadas por cavalos . No
meio rural o carrapato Amblyomma cajennense é um dos principais
parasitas externos (ectoparasitas) de cavalos e todos estágios (larva, ninfa e
adulto) são encontradas em cães que vivem neste tipo de ambiente.
Em relação
à saúde-pública, esta espécie é o principal parasita de humanos no
Sudeste e Centro-Oeste brasileiro e o principal vetor da Febre Maculosa,
doença severa, altamente letal, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii,
já registrada nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e
Espírito Santo. Os cães também podem ser acometidos por essa bactéria. Outras
espécies foram encontradas parasitando cães como Amblyomma ovale, Amblyomma
brasiliense e Amblyomma tigrinum.
A principal forma de
prevenção para estas espécies é evitar o livre acesso dos cães em ambientes
com animais silvestres e áreas de pastagens de cavalos. Caso o proprietário
more em ambiente urbano e leve o seu cão para passear em áreas rurais ou de
mata, deve ser feita a aplicação de produto carrapaticida logo após a sua
volta. Caso alguns espécimes consigam permanecer no cão, mesmo após o uso do
carrapaticida, esses carrapatos não irão se estabelecer nesses ambientes,
devido à falta de condições propícias para o seu desenvolvimento. Entretanto
esses carrapatos podem se estabelecer e continuar o seu ciclo-de-vida em áreas
restritas como ambientes com grama não-aparada ou mato. Portanto uma forma
útil de evitar eventual presença de carrapatos é fazer sempre a manutenção e
limpeza de áreas com jardins e gramíneas.
Carrapatos Exóticos
O carrapato
Rhipicephalus sanguineus (Figura 3) é a única espécie do gênero que
conseguiu se estabelecer nas Américas e são parasitas primários de cães. Eles
são carrapatos com origem na região Afrotropical e vieram junto com os animais
domésticos na época da colonização.

Figura 3: Fêmea adulta de
Rhipicephalus sanguineus.
A seta indica o escudo sem ornamentação
Fonte: http://icb.usp.br/~marcelcp/Imagens/carr21.jpg
Atualmente são encontrados
em todas as regiões zoogeográficas do mundo, sendo vetores naturais das
doenças
Babesiose canina
e
Erliquiose canina,
causadas respectivamente pelas bactérias Babesia canis e Ehrlichia
canis.
Uma das principais
características dessa espécie é o hábito de permanecer constantemente nos
abrigos como ninhos, tocas e buracos freqüentados pelos canídeos. No ambiente
urbano esses carrapatos conseguiram se adaptar perfeitamente, utilizando-se
de frestas de muros, canis, casinhas e buracos em paredes para abrigar as
fases não-parasitárias. No ambiente rural podem ser encontrados geralmente
próximos ao local que serve de dormitório para o cão.
O controle dessa espécie
compreende a aplicação de produto carrapaticida no animal e a aplicação de
produtos domissaniantes no ambiente onde o cachorro é abrigado. A não
utilização de medidas profiláticas e curativas em ambientes infestados com
R. sanguineus pode propiciar, além das doenças anteriormente descritas,
sérios problemas no animal (Figura 4) como anemia, irritação local,
dermatite e coceira.

Figura 4: Rhipicephalus
sanguineum infestando o pavilhão auditivo de um cão
Fonte: http://icb.usp.br/~marcelcp/Imagens/carr21.jpg
CONCLUSÃO
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Existe um grande número de
espécies de carrapatos que podem parasitar cães;
-
O cão
é hospedeiro primário de uma única espécie de carrapato (Rhipicephalus
sanguineus);
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O cão
pode ser hospedeiro acidental de várias espécies do gênero Amblyomma;
-
Sempre se deve
identificar a espécie de carrapato que está infestando o seu cão antes de
adotar medidas de controle;
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O
local onde o cão vai ser abrigado deve ser limpo constantemente;
-
A
pelagem do cão deve estar sempre limpa e fazer observação detalhada com a
finalidade de se encontrar eventuais ectoparasitas.
DÚVIDAS FREQUENTES
1.Os carrapatos dos
cães podem transmitir a febre maculosa?
As principais espécies de
carrapatos que estão envolvidas na transmissão da bactéria da Febre Maculosa
são: Carrapato-estrela (Amblyomma cajennense) e Carrapato-amarelo-do-cão (Amblyomma
aureolatum). O Carrapato-estrela, como dito no texto, é encontrado
principalmente em cavalos e capivaras, sendo os cães parasitados
acidentalmente. Já em relação ao Carrapato-amarelo-do-cão pode-se dizer que em
algumas áreas os cães são os hospedeiros primários de sua fase adulta, tendo
um importante papel na disseminação e manutenção desta espécie em áreas como
na periferia da cidade de São Paulo.
Por isso sempre faça uma
vistoria em seu cão em busca de eventuais carrapatos. E mais um lembrete os
carrapatos tem que se infectar com a bactéria para ter a chance de transmitir
a Febre Maculosa, por isso não são todos os indivíduos de uma população de
carrapatos que estão infectados.
2. Cães podem ser
vítima desta doença?
Sim, os cães podem ser
vítimas de Febre Maculosa, pois são hospedeiros acidentais, como o homem,
sendo os reservatórios alguns animais silvestres como por exemplo roedores.
Os sintomas desta doença
nos cães são: febre, falta de apetite, vômitos, manchas na mucosa,
conjuntivite, diarréia, perda de peso e desidratação. Geralmente os cães
conseguem superar a doença e ficam imunes a estas bactérias.
O cão não transmite Febre
Maculosa.
3. Moro em apartamento
e meu cão nunca sai de casa. Mas descobri carrapatos nele. Como é possível
isso?
O seu cão, mesmo nunca
saindo do apartamento, pode ser infestado por carrapatos da espécie
Rhipicephalus sanguineus provenientes de cães de apartamentos vizinhos.
Nas fases não-parasitárias estes carrapatos procuram locais escuros para se
abrigar e tem o comportamento de subir paredes e muros, sendo difícil
encontrá-los no chão. Portanto na tentativa de encontrar abrigo ou no período
de busca de alimento (busca do cão) esses carrapatos podem infestar outros
apartamentos e outros cães. Entretanto neste caso, pior do que uma infestação
de carrapatos e deixar um cão preso no apartamento e sem contato com outros
animais, ambientes e pessoas.
4. Existe perigo dos
carrapatos dos cães transmitirem doenças aos homens? A babesiose é transmitida
ao homem?
De todas doenças descritas no texto a única que
pode ser transmitida ao homem é a Febre Maculosa, onde o cão e o homem são
hospedeiros acidentais. Portanto em um passeio pela mata em uma área endêmica
de Febre Maculosa você tem as mesmas chances que o seu cachorro de entrar em
contato com um carrapato do gênero Amblyomma contaminado com a bactéria
Rickettsia. Não existem relatos de Babesiose canina e a Erliquiose
canina no homem.
5. Na minha casa os
carrapatos estão subindo pelas paredes! Qual é o método mais eficiente de
eliminar os carrapatos do ambiente? O que é a vassoura-de-fogo?
O melhor método de combate
ao carrapato Rhipicephalus sanguineus é a adoção de estratégias ao
mesmo tempo no ambiente e no animal. Produtos carrapaticidas de uso tópico ou
spray devem ser usados nos cães com a frequência recomendada pelo fabricante
do produto. Para o ambiente deve ser usado produtos a base de piretróides nos
locais frequentados pelos cães. Esta aplicação no ambiente só deve ser
realizada por empresas de controle de pragas. No ambiente externo pode ser
utilizado vassoura-de-fogo que consiste de um maçarico cuja função é
esterilizar toda área onde possa conter carrapatos ou outros parasitas, tendo
como principal vantagem não contaminar o ambiente com substâncias tóxicas,
entretanto não tem ação preventiva.
6. A Erliquiose e a
Babesiose tem cura?
Segundo a literatura um
cão pode ser curado de
Babesiose. Entretanto um cão doente com
Ehrlichiose
mesmo depois de tratado pode voltar a ter sintomas caso tenha uma deficiência
imunológica decorrentes de stress ou doenças intercorrentes.
7.
É possível que os carrapatos desenvolvam resistência aos produtos usados? Se
sim, devo alterar o produto que eu uso com que freqüência?
Sim, é possível que os
carrapatos desenvolvam resistência aos produtos usados, porém infestações
eventuais podem ser erradicadas com o mesmo produto. Caso existam grandes
infestações de carrapato é recomendável utilização de diferentes
princípios-ativos, sempre respeitando a dosagem e a periodicidade recomendada
pelo fabricante.
Prof. Msc Ricardo R. Cabrera
Biólogo / Entomologista / Acarologista
ricabrera@yahoo.com
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