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O
Australian Cattle Dog é uma raça relativamente recente. Os principais registros
foram feitos por Robert Kaleski que se apaixonou pela raça ainda na adolescência
e dedicou sua vida ao estudo e desenvolvimento da raça. Apesar disso, há grande
controvérsia sobre quais as raças que teriam contribuído para a formação
definitiva do Australian Cattle Dog - ACD. Essa dificuldade se explica pelo
grande número de tentativas e combinações que foram feitas até se chegar ao
resultado final.
Originária
da Austrália, acredita-se que se desenvolvimento aconteceu a partir da
colonização inglesa na região. Durante a migração, os ingleses levaram seus cães
de trabalho para a Austrália e tentaram aproveitar as raças que possuíam grande
habilidade no pastoreio nas ilhas britânicas num ambiente totalmente diferente
que é o deserto australiano. Estes primeiros cães eram conhecidos como Smithfields, nome do mercado central
de carnes em Londres. Genericamente, estes cães eram descritos como sendo cães
pesados, pretos, com orelhas caídas e pelagem longa.
Apesar de serem
excelentes pastores em sua terra natal, não conseguiam a mesma performance no
novo ambiente, especialmente porque a pelagem densa e longa aliada ao calor
australiano dificultava sua atuação no trabalho com o gado.
Diante da dificuldade de
adaptação destes cães, os fazendeiros locais iniciaram os acasalamentos entre
estes cães ingleses com os cães nativos da Austrália, conhecidos como Dingos. O
resultado não foi o esperado, uma vez que, apesar dos cães obtidos serem
realmente silenciosos como esperado, eram pouco confiáveis porque com freqüência
mostravam-se muito mordedores, o que atrapalhava o trabalho com o gado. A
tentativa seguinte foi o do acasalamento dos Dingos com os collies. Mais uma vez
o resultado não agradava completamente porque desta vez, a grande maioria dos
cães latia em excesso, o que também prejudicava a condução dos rebanhos.
Finalmente, em 1840, Mr.
Thomas Hall of Muswelbrook, importou um casal de Blue Smooth Highland Collies,
cães muito parecidos com os border collies ou bearded collies atuais. Estes cães
descritos como cães de coloração blue merle e foram acasalados com os Dingos
nativos. A partir destes acasalamentos, obteve cães merle ou vermelhos, que
ficaram conhecidos como "Hall's Heelers". Estes cães, que possuíam grande
habilidade em conduzir o gado em silêncio e deitavam-se no chão a fim de evitar
que o gado saísse da trilha desejada. O trabalho deste pioneiro foi reproduzido
até sua morte, em 1870. O trabalho de Mr. Tomas Hall e seu cães, que passaram a
ser conhecidos como "Blue
Heelers" ou "Queensland Heelers", deu frutos para o desenvolvimento da raça e
incluindo alguns acasalamentos com Bull Terrier, visando aumentar a tenacidade
dos cães e até mesmo Dálmatas, chegamos ao ano de 1902, quando Robert Kaleski,
escreveu o primeiro padrão da raça, baseando-se para isso no tipo físico dos
dingos australianos, que acreditava serem os mais bem adaptados ao trabalho na
região.
A raça só foi
reconhecida pelo American Kennel Club no grupo ´Miscelaneous´ no final da década
de 60 e graças aos esforços dos criadores, em 1980 a raça foi finalmente
reconhecida plenamente. No Brasil, a raça só começou a ser conhecida bem mais
recentemente e ainda há poucos registros e criadores oficiais.
 A principal
característica dos Australian Cattle Dogs é sua versatilidade e inteligência,
que o colocaram em 10º lugar no ranking de
inteligência elaborado pelo pesquisado Stanley Coren em seu livro "A
Inteligência dos Cães".
Sua inteligência inata e a grande facilidade em aprender
rapidamente comandos complexos, fizeram com que a raça ganhasse destaque
especialmente entre os fazendeiros que precisavam de cães altamente confiáveis
no trabalho com os rebanhos. Mas além de serem excelentes em suas funções
originais, os ACD destacam-se em várias outras atividades, como o Agility
e as competições de obediência e Schutzhund, onde podem aproveitar
todas as melhores qualidades da raça.
Os
ACDs se caracterizam por ser reservados com estranhos mas sem demonstrarem
qualquer agressividade. Já com seus donos, são devotados ao extremo, a quem
seguem como verdadeiras sombras. Como são cães bastante inteligentes e que
freqüentemente precisam tomar ´suas próprias´ decisões na condução dos rebanhos,
podem se tornar um tanto insubordinados se perceberem que seus donos não
transmitem a liderança necessária. Característica básica em sua função original
é trabalhar em silêncio.
Não são cães para um dono pouco experiente ou que proporcione
pouca atividade física e mental a seus cães. Da mesma forma, não suportam bem a
solidão ou a vida isolada de um quintal. Os ACD precisam de contato constante
com a sua família e caso não possuam esta experiência, podem desenvolver
problemas de comportamento.
Na atividade de pastoreio, são cães especialistas em gado, não
sendo a raça mais adequada, por exemplo, para trabalhar com ovelhas, mas com o
treinamento adequado, podem realizar o pastoreio sem problemas.
O relacionamento destes cães com crianças e outros animais é bastante bom,
lembrando sempre que, por se tratarem de cães de pastoreio, a tendência é que
eles encarem crianças e os demais animais como seres a serem pastoreados.

O ACD, independente da cor de seus pais, nasce completamente branco. A cor
definitiva se fixa em aproximadamente 1 semana, mas a tonalidade da cor só se
confirma após 1 ano.
Como são cães muito ativos e com grande necessidade de atividade, é
fundamental que se inicie desde cedo o adestramento de obediência.
Para os cães que forem destinados ao trabalho com o gado, é absolutamente
essencial que além do adestramento de obediência, o cão receba o treinamento
especifico para a função do pastoreio onde aprimorará seus instintos básicos.


O Australian Cattle Dog apresenta uma grande variedade de
marcações mas basicamente a cor do cão se divide em Blue ou Red. Da onde vem os
nomes pelos quais também são conhecidos Blue Heller e Red Heller.
O ACD tem pelo médio para curto e não necessita de nenhum
cuidado especial para a manutenção de sua pelagem, além de banhos eventuais e
escovações.
 
Os ACD são cães rústicos e robustos, que,
de maneira geral, gozam de excelente saúde. Os principais problemas enfrentados pela raça
são:
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