| |
O
Cavalier King Charles
Spaniel foi desenvolvido a partir do King Charles Spaniel e é um dos mais
antigos e populares cães ingleses. Em meados do século XVII ganhou
destaque ao ser declarado, por decreto real do rei D. Carlos II, mascote de
Inglaterra, e recebeu seu nome como uma homenagem ao rei inglês. A paixão do rei
pelos cães era tão grande, que eles podiam circular livremente em todos os
palácios e eram tratados com a deferência dos ´favoritos do rei´. Freqüentemente
eram retratados junto ao monarca, que fazia questão de ter sempre um exemplar
por perto, e chagavam mesmo a dormir nos aposentos reais.
Com o passar dos
anos, porém, o Cavalier King quase desapareceu como raça pura, pois foi cruzado
com raças de porte menor e narizes curtos, importadas da China e do Japão,
especialmente com Pugs. Foi somente por volta de 1926, que os criadores
conseguiram recuperar o tipo original e voltaram a criar o velho Cavalier
Charles Spaniel. Assim, depois de alguns cruzamentos, hoje temos duas raças: o
de menor porte, o King Charles Spaniel, e o maior, o Cavalier King Charles
Spaniel.
Ainda
criança a Rainha Vitória possuiu um Cavalier chamado "Dash" e durante toda a sua
existência o interesse em desenvolver e criar cães, aliado ao advento das
exposições, ajudou a mudar radicalmente a raça na sua forma original.
Em 1928, o Cavalier King
Charles Spaniel Club foi fundado na Inglaterra e em 1944 a raça foi reconhecida
pelo Kennel Clube.
Mantendo sua tradição
aristocrática a raça voltou com força total aos palácios reais em 1960, quando a
então princesa Margareth e seu marido adotaram um exemplar. A partir daí, e
consolidando sua participação em exposições importantes na Inglaterra, a raça de
expandiu e atualmente é a 5ª mais registrada na Inglaterra, superando outros
cães de companhia tradicionais como o York e o Poodle.
Nos Estados Unidos, um dos
proprietários mais famosos da raça foi o ex-presidente Ronald Reagan, que tinha
um Cavalier King Charles Spaniel chamado Rex.
No Brasil, a raça ainda é pouco
conhecida, mas existem criadores regulares há muitos anos.
 
O Cavalier é um cão de companhia por excelência e como
tal, apresenta um comportamento dócil e amistoso, mesmo com estranhos. Pesando
entre 5 e 9 quilos, é um cão pequeno mas sem ser ´frágil´ sendo considerado dos
cães tipo toy, um dos mais robustos e resistentes.
Normalmente são cães que se adaptam a qualquer tipo de
ambiente, mesmo pequeno, mas não dispensa uma caminhada diária. Essa disposição
aliada a uma grande agilidade, fazem com que possam participar com sucesso de
provas como o Agility.
Não são cães especialmente latidores,
mas por terem sido desenvolvidos para a função de companhia, não suportam bem
períodos de solidão, e o tédio pode levá-los a desenvolver o comportamento de
latir em demasia.
Por ser essencialmente pacífico e
dificilmente apresentar traços de agressividade, o Cavalier Charles Spaniel não
é um bom cão de guarda. O máximo que ele pode fazer ao dar de frente com um
estranho é dar algumas rosnadas. Já seu faro é invejável, o que o levou a ser
utilizado algumas vezes para farejar drogas e participar de caçadas. Na
Inglaterra, onde a caça é permitida, sua performance de caçador é notável. Lá é
treinado a apanhar a presa e trazê-la de volta (uma especialidade de Retrievers
e Spaniels); obviamente pequenas aves compatíveis com seu tamanho. É também
aproveitado para farejar drogas.
Muito inteligentes e interessados em aprender, o Cavalier aparece na 44ª posição
entre 135 raças pesquisadas e que deram origem à classificação do estudioso Stanley Coren, publicada no livro ‘A Inteligência
dos Cães’. Participa com frequência de provas de obediência e obtém
excelentes resultados.
 
Os filhotes devem perceber desde cedo, quais os limites para suas travessuras. Se for preciso deixá-los longos períodos sozinhos, os donos devem acostumá-los desde
a fase de filhote incentivando-o a não latir em seus períodos de ausência. Mas o
principal para o sucesso de uma boa educação será a postura dos donos que não devem
deixar-se levar pelo aspecto frágil do filhote, mimando excessivamente o cão.
Especialmente durante a fase de crescimento, é importante cuidar para que os
filhotes não sofram traumatismos, que podem comprometer seu desenvolvimento
ósseo. O mesmo cuidado deve ser tomado quanto à quantidade de comida, evitando o
peso em excesso.
O padrão da raça admite caudas íntegras ou amputadas. Caso a amputação seja
feita, deve se recorrer a um veterinário que promoverá o corte após 96 horas do
nascimento.
 
Apesar do seu pelo ser comprido e
sedoso, a raça não demanda muitos cuidados com a tosa (proibida para a
participação em exposições). Para que se mantenha em perfeito estado,
recomenda-se escovações periódicas e cuidados especiais com a pelagem nas
orelhas e axilas, evitando que se formem nós.

Existem quatro combinações de
cores aceitas pelo padrão: vermelho unicolor, negro-fogo (black-tan), branco com
manchas castanhas (bicolor) e branco, castanho e preto (tricolor).

A tendência à obesidade é um dos
principais problemas que a raça enfrenta, mas que pode ser controlada e evitada
com uma alimentação adequada. Outra doença característica da raça é a doença da
válvula mitral. Esta é uma alteração cardíaca que reduz o tempo de vida de
algumas linhas de sangue da raça, provavelmente de caráter hereditário.
 |