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Cães criados em Correntes ou Canis
Esse é mais um daqueles
costumes que deveriam ser proibidos! Muitos cães são criados sem liberdade -
seja preso em correntes ou dentro de canis 24 horas por dia - por total
desinformação dos donos. Em alguns casos tal procedimento tem como objetivo
produzir um cão de guarda feroz; em outros, porém, esse cenário se instala por
pura falta de conhecimento das necessidades caninas.
Como um animal essencialmente
social, o contato com outras pessoas e cães é tão importante para o
desenvolvimento físico e emocional de um filhote quanto ter comida ou água.
Os cães domésticos não são capazes de sobreviver sozinhos, e é a partir
deste contato e do afeto que eles começam a entender o mundo e aprender
limites regras e costumes próprios da espécie. Ao contrário dos gatos – que
são animais independentes – os cães dependem fundamentalmente das
conseqüências de seus atos para saberem como se comportar e quais são as
regras da matilha. Sem este feedback o filhote fica perdido, sem noção se seu
atos estão, ou não, de acordo com os costumes da matilha.
Tais cães raramente sabem se
comportar em público; não sabem nem mesmo que existe um lugar certo para fazer
xixi e cocô, já que sempre viveram no local onde tais xixis e cocôs são
feitos. Não que necessariamente os canis tenham que ser fedidos e sujos, mas
tal cão elege dentro do canil – no dentro do raio de ação que sua corrente
permite – um local para ser seu banheiro, e assim está decidido. Sem educação,
sem nada. Por estarem sempre presos estes cães costumam ser extremamente
destrutivos, já que nunca foram educados a ficar entre as pessoas, ou dentro
de casa. Ao se verem soltos, correm desesperados por todos os cantos
derrubando tudo o que vêm pela frente.
É claro que este “método” é o
que dá menos trabalho. O dono acha que alimentando tal cão, e brincando com
ele por alguns minutos diários, o seu trabalho está feito. Ledo engano! Estes
cães são absolutamente inadequados. E como se poderia esperar outra coisa de
cães que jamais tiveram seu comportamento moldado, e sim foram deixados ao
“Deus dará”?
Cães presos normalmente não tem
a mesma liberdade de correr, brincar, cavar buracos, fuçar no jardim, ou
explorar o ambiente onde vivem. O problema é que tais atividades – que aos
olhos humanos parecem não passar de uma boa bagunça – são exatamente as
atividades preparatórias para que este filhote possa se desenvolver física e
emocionalmente; e desenvolver suas habilidades como caçador; ou como guarda;
como cão de trabalho, etc. Além disso, ainda temos o problema que a maioria
dos cães criados presos é extremamente solitária, e tal solidão costuma gerar
cães com problemas graves de temperamento como ansiedade, agressividade,
carência extrema, hiperatividade, medo, impulsividade, entre outros.
Muitas vezes tal método é usado
para se deixar um cão de guarda bravo. Porém, o que se vê é que esta situação
cria muitas vezes cães tremendamente agressivos (bravos), o que não quer
dizer que estes cães serão bons guardas. Um bom cão de guarda deve saber
avaliar a diferença entre uma criança entrando em seu território e um ladrão.
Cães que são criados presos raramente têm contato com muitos humanos, e,
portanto, para eles qualquer pessoa estranha a ele é virtualmente perigosa. Em
muitas circunstâncias até mesmo as pessoas da casa podem parecer tremendamente
perigosas a este cão que nunca pode sair de seu canil, e, conseqüentemente,
não conhece nada além do seu mundinho. Ao contrário do que estes
proprietários pensam, eles não estão criando um cão valente. Estão criando um
monstro medroso que responde a tudo o que lhe é desconhecido da única forma
que ele conhece: atacando. Como pode ser corajoso um cão que nunca pode
explorar nada além de seu canil? Alguém pode mesmo achar que um cão que ataca
uma criança é valente? Este cão atacou por achar que aquele pequeno humano
poderia ser perigoso. E ISSO é valentia?
Para atermos um cão saudável
fisicamente e emocionalmente é fundamental que ele tenha liberdade para
brincar e explorar. É isso que fará dele um adulto saudável e corajoso. Da
mesma forma, é fundamental que ele possa ser socializado e ter contato com
pessoas de idades e raças diferentes, para que ele possa ter bases para saber
avaliar uma situação de perigo de forma segura. Só um cão estável é capaz
disso! E filhotes criados presos jamais geram adultos estáveis.
Boa sorte!
Maíce Costa Carvalho,
adestradora
maice@dogtimes.com.br
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