A origem do Pointer Inglês é bastante controversa. Alguns estudiosos
afirmam que o Pointer originou-se na Espanha e outros defendem que foi desenvolvido na
Inglaterra, a partir de cruzamentos de
Bloodhound, Foxhounds e
Greyhounds. Segundo
William Arkwright , reconhecido como o maior estudioso da raça, o Pointer Inglês
originou-se no Oriente, de onde foi levado para a Itália, passando pela Espanha (onde
teria desenvolvido sua estrutura de crânio atual) e finalmente, da Espanha para a
Inglaterra onde se desenvolveu até atingir sua forma moderna.
Os Pointers foram apresentados em
exposições pela primeira vez no ano de 1859 em Newcastle-on-Tyne, Northumberland.
Esta exposição tinha como objetivo mostrar que bons cães de caça poderiam ser
bonitos, bem estruturados e inicialmente era restrita a Pointers e Setters. Com
o sucesso obtido, foi ampliando as raças participantes e é considerada a
precursora das atuais exposições de estrutura e beleza. Já em 1877, a
Westminster Kennel Club, a mais importante exposição cinófila mundial tinha
inscritos mais de 100 Pointers.

O Pointer traz no nome sua principal função:
encontrar a presa e apontá-la (to point) para o caçador. Para desempenhar
bem essa atividade, o Pointer possui um faro excepcional, e apresenta extrema agilidade e
grande força física que lhe permite percorrer grandes distâncias até encontrar a
caça.
Desenvolvido
e aprimorado para a caça, sua popularidade nos países onde o esporte é permitido é
enorme. Na Itália e na Espanha está há anos entre as dez raças mais populares.
Um bom exemplo da paixão que a raça desperta, os caçadores
ingleses costumam levar os Pointers para o campo apenas com a finalidade de
apontar a caça, deixando para outros cães (labradores,
goldens e cockers) a tarefa menos
artística de ir apanhar a peça depois de abatida.

No Brasil, onde é ainda é mais conhecido como "perdigueiro",
apesar das restrições à caça, o Pointer
também é bastante conhecido.
Um dado curioso sobre o comportamento dos cães de
aponte, nos quais incluem-se os Pointers e os Setters é levantado por Stanley Coren,
autor do livro "A Inteligência dos Cães". Segundo ele, o comportamento típico
desses cães, que, ao localizar a presa assumem sua postura característica,
ficando imóveis, seria o resultado de um curto-circuito, uma sobrecarga
neural que congela o animal diante da presa. A ausência deste
curto-circuito impeliria o animal sobre a caça. O mesmo tipo de comportamento
pode ser observado nos lobos, onde um animal-guia, congela apontando a presa e
mantendo sua postura até que o restante dos membros efetive o ataque.

Em razão de sua principal função a caça em
estreita sintonia com o caçador o Pointer é também um excelente cão de
companhia. Meigo, ativo, extremamente ágil, por onde passa conquista admiradores e muitos
proprietários, apaixonados pela raça, fazem questão de tê-los por perto, mesmo em
ambientes considerados pequenos para sua vitalidade. No entanto, os próprios criadores
são unânimes em afirmar que, para que possam desenvolver-se bem (física e mentalmente)
devem poder gastar sua enorme energia, e portanto, os passeios diários e muito exercício
são fundamentais.
O Pointer é alegre e muito resistente. Enfrenta bem
todo tipo de brincadeira e é extremamente tolerante com as crianças. Afável e
companheiro, costuma relacionar-se bem até mesmo estranhos sendo, portanto, inadequado
para a função de guarda.
Para desenvolver bem sua função primordial
apontar a caça são cães que latem muito pouco, o quê facilita sua manutenção
mesmo em apartamentos. Seu pêlo curto também é uma característica que facilita sua
higiene e limpeza uma vez que não retém muita sujeira nem tem cheiro forte.

Uma boa alternativa para quem tem um Pointer na cidade é treiná-lo para agility,
esporte praticado em grandes espaços abertos, em circuitos compostos por vários
obstáculos a serem transpostos. A prática do agility requer treino de obediência
prévio, o que pode melhorar ainda mais o convívio com o cão e aguçar sua sintonia com
o dono.
Os Pointers são cães
extremamente atentos ao dono, característica que ajuda muito no adestramento de
obediência e no treino específico para a caça. Na escala de inteligência elaborada por
Stanley Coren, em seu livro A Inteligência dos Cães
o Pointer Inglês está na 43ª posição. Por sua atuação complexa nos campos de caça,
em que precisa tomar decisões acerca da direção a seguir, o Pointer tem uma
personalidade bastante independente e, ao mesmo tempo que são muito apegados ao dono não
costumam solicitar carinhos e atenção o tempo todo.

Desde muito cedo o filhote já demonstra todas as
características do cão adulto, estando sempre pronto para a ação. Apesar de não ser
um cão teimoso, o Pointer precisa ser controlado com firmeza mas sem violência desde
filhote. É recomendável, por exemplo, delimitar áreas de acesso livre e restrito ao
filhote dentro de casa.
Uma boa dica para quem pretende ter um Pointer
como cão de companhia é procurar adquirir filhotes cujas linhagens tenham sido
desenvolvidas mais para exposições do que para a caça, o que pode originar filhotes
relativamente mais calmos.
Ao
contrário do Pointer Alemão, o Pointer Inglês tem a cauda inteira, mas seu comprimento
não pode ultrapassar o joelho, nem apresentar protuberâncias.
O filhote deve ser quadradinho, com o stop
(linha que forma o perfil do focinho) bem definido, orelhas de tamanho médio e textura
aveludada, rentes às faces, e sem ergots (quinto dedo) nas pernas traseiras e,
principalmente, deve passar a impressão de força, sem ser grosseiro ou pesado.


O padrão da raça estabelece
uma grande variedade de cores e combinações.
Os mais comuns são os
pointers bi-colores, em que combina-se o combina o branco com laranja, com limão, com
preto ou com fígado, mas os tricolores e os sólidos (uma cor só) também são
permitidos.

Quanto à saúde, o Pointer não inspira maiores
preocupações. A raça não está sujeita a doenças hereditárias típicas, apesar de
ocorrer, eventualmente problemas como:
entrópio quando as bordas das pálpebras são viradas para dentro
displasia coxofemural - problema de encaixe entre o fêmur e a bacia
Além destes, alguns Pointers podem apresentar
outros problemas como:
otite causada por um abafamento dos canais auditivos pela
orelha caída
calosidades
provocada pelo atrito constante com chão duro e pela pouca proteção oferecida por sua
pelagem. Os calos podem ser facilmente evitados fazendo com que o cão não durma em
superfícies ásperas e/ou duras.
Obesidade causada
pelo excesso de comida e baixa atividade física.
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