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A Cidadania em jogo
Durante o mês de abril acompanhamos atentamente pela imprensa a luta da pedagoga carioca Ethel Rosenfeld - cega desde os 13 anos - e seu cão guia Gem, da raça Labrador, para fazer valer seus direitos. Numa decisão autoritária e insensível, a direção do Teatro Municipal não autorizou Ethel e seu cão a assistirem aos concertos do cliclo Bethoven que seriam realizados no Teatro. No entanto, ao contrário do que a maioria das pessoas faz, Ethel não desistiu e recorreu à Justiça em busca de seus direitos. O desfecho da história veio dia dia 04/04, quando, atendendo a uma decisão judicial, Ethel e Gem foram convidados pela secretária estadual de Cultura e Esporte, Lélia Fraga, e pelo ex-secretário Leonel Kaz, a conhecer os lugares que ocuparam durante um ciclo Beethoven que ocorreu dia 07/04. Segundo o jornal "O Globo", Ethel tem tido muita dificuldade para circular pela cidade na companhia de Gem. Já foi barrada no metrô e raramente consegue entrar em lojas ou restaurantes. O episódio do Municipal, porém, foi decisivo para a pedagoga buscar uma solução definitiva para o problema. Segundo o advogado, o Estado do Rio - que administra o teatro - estaria coagindo a liberdade de ir e vir de Ethel e Gem. Inez Schachter, diretora do Teatro afirmou que barrou o cachorro temendo que ele fizesse ruídos que atrapalhassem o espetáculo ou incomodasse os espectadores com sua presença. Ethel se queixa por ser sistematicamente impedida de passar por lugares públicos ou privados da cidade com o cão. Amestrado pela Guide Dog Foundation for the Blind, Gem tem uma autorização VIP de ir e vir, guiando sua dona, mas apesar disso, a autorização de pouco adianta. "- O Gem é muito manso e educado. Tenho certeza de que não vai perturbar o andamento do espetáculo - afirmou Ethel, depois da visita ao Municipal." Não é preciso nem dizer que durante toda a execução do concerto o cão permaneceu quieto, imóvel ao lado de sua dona. Os problemas com o cachorro não são novidade. Para entrar numa lanchonete do Catete, um segurança chegou a sugerir que Ethel carregasse o pesado cão no colo. A proibição da entrada numa loja de eletrodomésticos do mesmo bairro levou a pedagoga até a delegacia mais próxima (9ª DP) para tentar dar queixa contra os gerentes que não respeitam a autorização da Prefeitura: - O delegado foi debochado e não quis registrar a ocorrência Só no metrô, Ethel e Gem foram barrados três vezes antes de receberem autorização para transitar livremente pelas estações. Até agora, o único lugar onde o acesso de Gem foi permitido sem restrições foi a Biblioteca Nacional, onde Ethel costuma freqüentar o setor de obras em braile. Continuamos torcendo por Ethel e Gem e esperamos que a sua batalha possa trazer benefícios a todos aqueles que enfrentam este tipo de dificuldade. Para mais informações sobre o assunto: Cidadania em jogo - O caso de Ethel e seu Cão Guia Canine Companions for Independence
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