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Como funciona a cinofilia oficial no Brasil Para organizar e aprimorar a criação de cães de raça pura, existem diversos órgãos (clubes, federações e a Confederação Brasileira de Cinofilia) que controlam e dão suporte aos criadores e defendem o direito dos proprietários que adquirem cães de raça pura. No Brasil, a entidade que controla o maior número de clubes, é a Federação de Cinofilia do Estado de São Paulo, presidida por Paulo Eduardo Costa, que é nosso entrevistado do mês. 1. Como o senhor adquiriu seu primeiro cão? Como decidiu ser criador de cães? A história é longa, porém, interessante. Meu bisavô o empreendedor Mathias Alberto C. da Costa trouxe da Europa alguns cães da raça Foxhound estabelecendo uma pioneira criação desta espécie destinada aquela época (finais do século XIX) para a caça. Ainda hoje, temos alguns destes remanescentes exemplares em nossa propriedade rural. Meu avo, José A.P.da Costa, filho dele, fazendeiro e latifundiário foi um dos precursores da introdução no país dos Cães da raça Pointer Inglês. Em janeiro de 1973 ganhei meu primeiro cão, uma Dálmata, e em julho de 1974 tive a minha primeira ninhada de Dálmatas, nesta época com o canil Liechtenstein sendo que mais tarde estabeleci parceria com os amigos e notáveis criadores Mario Figueiredo e Walkyria Bueno de Camargo Moraes Figueiredo, na época titulares dos canis Albo Atrum e Gypsy Rose e proprietários do primeiro cão brasileiro a sagrar-se campeão norte americano. Em 1974, conheci a raça Bull Terrier na Bélgica em uma exposição internacional e neste mesmo ano comprei a minha primeira Bull Terrier (comprada nos Estados Unidos). Daí em diante foram anos e anos como um dos mais atuantes criadores da raça no país, com vários campeões produzidos no plantel e com um largo circulo de amizades semeadas com tantos outros criadores que foram surgindo e que tornaram-se parceiros e grandes amigos. Em julho deste ano, completo com o Canil Zara Padraic, 30 anos de criação ininterrupta da mesma raça, os Bull Terriers que tanto amo. 2. De criador a dirigente cinófilo, qual é a importância e o papel das entidades cinófilas? Como elas podem ajudar os novos criadores? Todo o criador, creio, tem a obrigação de um dia participar ativamente das decisões que norteiam e regulamentam suas atividades, quer por prazer, quer por dever, até porque cabe às entidades cinófilas o desenvolvimento, aprimoramento, aperfeiçoamento da atividade criatória oficial e o auxilio aos criadores indicando os melhores caminhos, fornecendo o necessário conhecimento técnico, dando-lhes condições de estabelecer um processo de evolução natural da atividade. 3. E quanto aos proprietários de cães? O que os clubes cinfófilos têm a oferecer a este enorme contingente de pessoas? Toda a gama inerente a criação. Exposições de aprimoramento e aperfeiçoamento, palestras técnicas e orientadoras, reuniões e mesas redondas, cursos, treinamentos, handling, grooming, trimming, congressos, simpósios, cooperativas de criadores que subsidiem rações e produtos veterinários a mais baixo custo, informações acerca de ninhadas, criadores, profissionais da área, entre tantas outras atividades sociais inerentes a um clube de cinofilia ou não. 4. Existem muitas pessoas que vêem na criação de cães uma fonte de renda. Criar cães dá lucro? Jamais vi por esta ótica, muito embora saiba de vários criatórios profissionais que unem a criação à hospedagem, ao treinamento transformando a atividade em fonte de renda. Eu, particularmente nunca obtive renda da criação, fazendo-o apenas por puro prazer. 5. Nem todo criador de cães - mesmo os que registram seus pedigrees - participa das exposições de beleza ou provas de trabalho. Qual é a importância destes eventos? Existem projetos para incentivar a participação destes criadores? Os eventos cinófilos tem como finalidade básica o congraçamento, a união, a aproximação de pessoas que tem entre si vários pontos em comum. Além disto, servem para o aperfeiçoamento e aprimoramento do padrão rácico, criando desta forma uma uniformidade dentro do que podemos chamar qualidade de criação. São vários os projetos para incentivar tal prática. Entre eles o mais vibrante é a criação do Vale Exposição, que será fornecido dentro do Estado de São Paulo a todos os cães nascidos e registrados nos kenneis oficiais que terão gratuidade na participação em uma exposição cinófila oficial desde que tal participação se dê até os 12 meses de idade. Com esta gratuidade de participação, teremos em breve novo contingente de aficcionados, afinal, quem não toma o gostinho depois de participar de uma primeira vez? 6. O senhor assumiu a FECESP há 2 anos. E logo enfrentou uma grande polêmica com as propostas de legislação que ´condenava´ muitas raças no Estado de São Paulo. Quais foram as medidas que a FECESP tomou e como ficou a legislação estadual? A Fecesp cuidou de todos os detalhes junto ao Governo do Estado (tivemos até mesmo reuniões no Palácio dos Bandeirantes) e junto a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, esclarecendo autoridades, legisladores, deputados, vereadores, prefeitos, juízes, promotores do que verdadeiramente é feito dentro do que podemos chamar controle dos cães de raça pura, tranquilizando a todos e mostrando a verdadeira face da cinofilia oficial. Com isto, conseguimos reduzir drasticamente as medidas que já vinham sendo elaboradas no sentido de cercear a criação, reprodução e importação de algumas espécies mais polêmicas. Tudo isto coroará com pleno êxito a proposta inicial feita ao governo de cadastrar e credenciar cada cão e seu proprietário num projeto que já dura alguns anos e que visa estabelecer normas de posse responsável. 7. A FECESP, seguindo a mesma tendência da CBKC, criou regulamentos e uma comissão especial para o Agility. O agility é uma modalidade capaz de agregar um grande número de ´cachorreiros´. Qual o projeto para o Agility em SP? Existe, além do agility, outros esportes que a FECESP pretende incentivar? Criamos de imediato, logo após a posse, encerrada a fase interventiva, uma diretoria de agility para o Estado de São Paulo ao mesmo tempo em que estabelecemos uma comissão de agility para discutir seus principais problemas, anseios e soluções. De imediato houve resposta positiva da comunidade agiliteira, neste universo que cresceu de maneira acentuada. Hoje já temos novos títulos promocionais validos para o Estado de São Paulo, temos provas todos os meses em várias regiões do Estado e até mesmo recursos financeiros próprios que estão sendo aplicados no aparelhamento do agility paulista que hoje representa praticamente 80% do agility nacional. O diretor do agility da Federação hoje cumula suas funções com a presidência da CBA - Comissão Brasileira de Agility , Dr.Nelson Lombardi e para bem breve teremos uma banca de formação de novos árbitros dentro do Estado de São Paulo especificamente para a área. Além do agility, criamos e filiamos o Schutzhund Club o primeiro clube de trabalho do país, destinado especificamente a aperfeiçoar tudo o que é relacionado a obediência em cães e cujos resultados são inegáveis. Do ranking paulista na modalidade sairão os representantes que defenderão as cores brasileiras no campeonato mundial da modalidade na Suíça. Estamos ainda regulamentando os Esportes Radicais, praticados preliminarmente pelo Clube do Pit Bull do Estado de São Paulo e agora abrindo seu leque através do Schutzhund Club para as competições multi-raças. Aliás as competições multi raças de obediência agora tem vários clubes ecléticos participando do processo de aperfeiçoamento e seleção. O Kenel Vale Clube trouxe por exemplo e recentemente árbitro da Alemanha para julgar os cães que participaram de prova de trabalho e obediência. 8. Muitos proprietários de cães gostariam que seus cães tivessem livre acesso a diversos lugares. O senhor acha que um dia o Brasil vai ter uma convivência mais integrada com seus cães, como é o caso da França, em que os cães são permitidos em praticamente qualquer lugar? Eu não tenho dúvida disto. O processo de conscientização, educação e aperfeiçoamento da posse responsável trará muitos benefícios neste sentido. Tudo isto aliado a educação chegando através de vários meios facilitará sobremaneira todo o processo de aceitação dos animais a exemplo do que ocorre nos grandes centros cinófilos mundiais e a Federação tem papel preponderante neste processo. 9. Por outro lado, sabemos que existem muitos proprietários de cães e mesmo criadores, que não investem nem na educação de seu cão. A FECESP tem algum projeto estadual para estimular educação do ´cão e proprietário´? Os encontros cinotécnicos que vem acontecendo com freqüência bimensal buscam trazer esta consciência ao criador/proprietário quando são levantadas as principais características de temperamento e comportamento de cada raça. Conhecimento é o segredo para estimular a educação cão e proprietário. Além disto estamos retomando conversações com a Secretaria de Educação para que possamos retornar a prestar serviços educativos nas escolas de ensino básico, primeiro e segundo graus, relativos a manutenção, cuidados básicos e educação de cães com ou sem raça definida. A longo prazo o processo de educação contará com novos aliados, entre nossos patrocinadores, com este mesmo propósito. 10. E quanto às campanhas de castração? Sabemos que nem todos os cães, mesmo os de raça pura, devem acasalar e também sabemos que existe, ainda, um grande preconceito sobre a castração. Qual a posição das entidades brasileiras quanto a este ponto? Não seria importante uma ação conjunta visando diminuir o abandono de cães? Sempre acreditei que as instituições oficiais, aquelas que gerenciam o processo de criação ou seja, Federações, Keneis, núcleos de criação deveriam manter abrigos para recolher animais abandonados, ainda que em números limitados. Esta entre nossos projetos o custeio dentro de verba especialmente destinada para este fim, de um número especifico de castrações objetivando com isto a contenção no aumento desenfreado de cães de rua e abandonados. É uma forma da cinofilia oficial reconhecer que também pode buscar solucionar parte do problema hoje existente e buscar assim como a comunidade resultados saneadores para ele. 11. Falando em abandono de cães... as entidades da cinofilia participam, de alguma forma, das campanhas contra o abandono de animais? Qual é a relação entre a cinofilia oficial e as entidades de proteção animal? A relação foi retomada com a minha posse pois sou honrosamente presidente da Sociedade Protetora dos Animais de Santos e São Vicente/SP desde 1984, portanto há 20 anos. Presido ainda alguns conselhos deliberativos de outras instituições destinada à proteção aos animais razão pela qual, vejo com bons olhos esta aproximação e este relacionamento que busco estreitar sobremaneira, criando salutares parcerias. 12. Muitas pessoas procuram o The Dog´s Times para buscar informações sobre clubes de raças específicas. Como se organizam estes clubes? Como fazer para montar um clube de uma raça específica? Os clubes de raça tem por objeto principal o desenvolvimento e aprimoramento da raça, o agregamento do grupo social dos criadores além de estabelecer fortes laços entre a comunidade cinófila que desenvolve esta ou aquela raça. Com a criação de um link direto entre a Federação e os Clubes Especializados este contato será bastante facilitado para o consulente e criador, que bastará um simples click para obter todas as informações requeridas. Hoje para se montar um clube de raça, há que se reunir 25 criadores daquela raça que já tenham tido ao menos uma ninhada ou que sejam proprietário de um ou mais animais da raça pretendida. Cumprida esta regra básica, basta realizar uma Assembléia Geral de Fundação da entidade reunindo estes criadores, Assembléia esta de aprovação dos Estatutos Sociais e eleição e posse da Diretoria. Levados a registro os documentos no cartório competente deverão ser encaminhados á Federação em duas vias autenticadas de todos os documentos, momento em que será redigido o termo de convênio e o clube então passa a existir de forma oficial. 13. Algumas pessoas, mesmo procurando criadores que dizem que criam cães com pedigree, enfrentam problemas enormes para receber o documento depois da compra. Alguns esperam meses e meses. Quais os direitos destas pessoas e como elas poderiam fazer para se proteger e, em último caso, para resolver estes problemas? A Federação tem em seus quadros um Conselho de Disciplina e Ética que estabelece penalidades para os maus criadores, desde que haja previsão no Código de Ética e Disciplina. São julgados mensalmente uma grande quantidade de processos e os resultados são sempre satisfatórios pois estabelece ordem dentro do processo de criação exigindo responsabilidades dentro da relação direito/dever. Nos casos mais graves há o departamento jurídico da Federação que dá suporte nos casos que envolvam a criação oficial. 14. Comentários finais Todo o trabalho desenvolvido pela Federação, busca agregar aos clubes - o principio de todo o nosso trabalho - os cães e seus proprietários/criadores. Dentro deste fundamento busca criar e estreitar os laços de respeito e amizade fazendo com que todos os procedimentos sejam encarados como prazeirosos em tudo que se refira aos nossos melhores amigos de quatro patas que latem. Amor é a base de todo o trabalho de criação e a Federação não fica alheia a esta assertiva, vivendo para servir e servindo para viver.
Para acompanhar as atividades da FECESP, acesse o site www.fecesp.com.br ou www.fecesp.esp.br
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