| |
A
raça surgiu na Irlanda, onde também é conhecido como Irish Blue, mais
precisamente na extremidade sudeste do país nos montes Kerry, no condado de
Kerry no século XVIII. Existem inúmeras versões sobre sua descendência, e até
uma lenda irlandesa tenta explicar a origem da raça e que conta que, há cerca de
três mil anos, um rei celta desposou a filha de um faraó e trouxe para a sua
Erin natal uns cães que são os antepassados dos Terriers irlandeses e do Irish
Water Spaniel. E provavelmente não dará nenhum crédito à história do naufrágio
que aconteceu há tempo na costa do condado de Kerry, cujo único sobrevivente foi
um cão azul. Lendas à parte, a teoria mais aceita sobre a origem do Kerry Blue é
de que tenha como antepassados o Irish Terrier, o Dandie Dinmont Terrier e o
Bedlington Terrier.
O objetivo dos irlandeses
com estes acasalamentos era produzir cães com características fundamentais para
cães de trabalho: desejavam um cão de porte médio (para se impor no pastoreio do
gado, na defesa do rebanho de ovelhas e na guarda da casa e de seu dono ou
família), de fácil manutenção (sua pelagem densa é constituída de fios espessos
e ondulados, fazendo com que a pelagem fique "armada" evitando os "nós" e
promovendo ventilação entre os pêlos, fazendo com que o cão não apresente mau
cheiro), muito rústico e resistente, obediente, afetuoso, leal, corajoso, de
reflexos rápidos, ágil, mais sofisticado e introvertido (temperamento mais
ameno, calmo) que outros terriers, excelente companheiro, sempre alerta e um
caráter tipicamente irlandês: simpático, impulsivo e astuto. Na guarda do dono
ou da casa além de todas essas características tem uma impulsão nas patas
traseiras chegando quase a uma altura de 1,8 metros do chão, dentes grandes e
fortes e uma mordedura extremamente poderosa.
Já em uma das primeiras exposições
organizadas no Eire, a de 1887, em Limerick, há registros de 6 exemplares de
terriers na cr azuis-ardósia. Em 1902, já havia catorze - incluídos numa classe
de trabalho reservada para eles - na exposição de Killarney. Em Cork, em 1913,
havia uma classe de cinco exemplares, todos azul-ardósia e de tamanho
relativamente modesto. Em 1916, havia vinte numa nova edição da exposição de
Killarney.
Fundamental para a raça foi
o trabalho de Casev Hewitt, que teve papel fundamental na divulgação da raça
fora da Irlanda, onde os criadores privilegiavam as qualidades de trabalho dos
seus cães sem insistirem muito na aparência que, por outro lado, deixava
bastante a desejar: não só o pêlo, deixado no seu estado natural, não tinha
grande coisa a ver com o impecavelmente desenhado dos outros terriers, como a
homogeneidade dos exemplares tanto do ponto de vista das cores como dos tamanho
da constituição também não era nada perfeita. Finalmente, e graças ao trabalho
de Casey, o primeiro padrão da raça foi descrito pela primeira vez no fim da
Primeira Guerra Mundial e a raça foi aceita, oficialmente 1922 (primeira
empreitada da raça fora de seu país de origem), também o ano da fundação, na
Inglaterra, do primeiro Kerry Blue Terrier Club.
Evidentemente, os
norte-americanos não ficaram insensíveis ao potencial das qualidades do Kerry
Blue e apenas 2 anos depois do reconhecimento inglês, o American Kennel Club
reconheceu a raça em 1924, e em 1926 criou-se o clube norte-americano do Kerry
Blue. Não muito interessados em todas as honras em exposições, os criadores
irlandeses conseguiram incluir, em 1926, a exigência de que os cães fizessem
provas de trabalho para que fossem considerados campões em seu país. Esta foi a
forma encontrada para que não se perdesse de vista a importância do temperamento
destes cães.
A criação
norte-americana fez tantos progressos que atualmente os Estados Unidos é
considerado o centro de excelência na criação dos Kerries. No Brasil, os Kerries
estão presentes desde 1978 e vários exemplares da raça conquistaram espaço e
expressão nas exposições oficiais, sendo por 2 vezes os melhores cães do ranking
nacional oficial - 1979 e em 1987.

O Kerry Blue é indicado para as pessoas que já tenham experiência com terriers
ou que saibam apreciar o seu temperamento particular. Os terriers têm uma
impetuosidade natural, uma valentia, uma vivacidade e um lado obstinado e
independente, além de uma profunda afeição aos seus donos, o que os torna
diferentes dos cães de pastoreio, dos outros cães de caça ou das raças de
companhia. Não é que sejam especialmente difíceis, mas requerem, mais do que
qualquer outra raça, um dono cuja personalidade bem acentuada se entenda bem com
a sua.
Seu porte médio faz com
que se adapte muito bem a diversos tipos de espaço, podendo ser muito feliz em
uma casa pequena, lhe convém melhor um bom quintal e longos passeios, devido ao
seu caráter naturalmente ativo e extrovertido.
Caracteriza-se por um temperamento alerta, mas menos excitável do que os ´terriers
clássicos´ e por serem muito resistentes e velozes podem obter excelentes resultados em provas de agility,
esporte no qual podem aproveitar completamente toda sua agilidade.
É uma excelente companhia para crianças, agüentando firme o nível de atividade
delas, e dificilmente se cansará antes. Já seu convívio com outros cães é bastante
complicado e difícil. Normalmente o máximo que esses cães suportam é a presença de
cães do sexo oposto.
No ranking elaborado pelo pesquisador Stanley Coren, no livro
‘A
Inteligência dos Cães’, o Kerry ocupa a 35ª posição entre as raças pesquisadas.
 
A aparência do Kerry Blue é obtida com a ajuda do corte estético da pelagem,
introduzido pelos americanos, canadenses e ingleses, o que deu nova força à
raça. Os Irlandeses, que o expuseram pela primeira vez em 1916, não o aparavam,
arrumando-o apenas.
Para mantê-lo elegante, é preciso incorporar ao dia-a-dia o hábito da
escovação e do trimming periódicos.

A pelagem, que nos filhotes é completamente preta, vai passando por diversas
mudanças até que chegue ao seu aspecto definitivo. Normalmente até os 12 meses,
a ondulação da pelagem que era suave, se acentua. Até os 18 meses são permitidos
pêlos negros. É nesta fase que passam por um clareamento a partir da base até se
tornarem azuis, cor oficial raça, um cinza que vai do escuro ao claro, podendo
chegar ao quase branco, às vezes com a cabeça, cauda e patas negras.

Assim como o
cão adulto, o filhote tem uma energia impressionante que pode, e deve, ser canalizada
pelo proprietário especialmente com jogos que incentivem a obediência do filhote. Por isso mesmo, é altamente
recomendável que desde cedo o proprietário inicie um programa de adestramento de
obediência com seu Kerry, com o objetivo de tornar a convivência mais fácil para ambas as
partes.
A educação do filhote requer, acima de tudo, paciência. Especialmente quando o
filhote já tiver aproximadamente 6 meses e estiver trocando seus dentes, deve-se evitar
que os móveis sejam seu alvo preferencial. Para isso, convém fornecer brinquedos
próprios para esta fase.
Não é recomendado que ele seja deixado muito tempo sozinho em casa, sem a supervisão
dos donos, porque caso ele se sinta entediado, certamente vai procurar diversão por conta
própria e nem sempre o dono vai concordar com os brinquedos que ele encontrou.

O Kerry Terrier é uma raça extremamente rústica em termos de saúde e uma vez que
estejam vacinados, vermifugados e sendo alimentados adequadamente dificilmente apresentam
problemas.
Também não são propensos a nenhuma doença genética particular como outras raças.
Podem apresentar propensão a alergias e problemas de pele.
|