Um labrador amarelo, que foi batizado de Marley enquanto
os donos ouviam a canção "Is This Love?", do cantor jamaicano, levou sua
história - que na verdade é a de sua família - ao topo da lista dos livros
mais vendidos nos Estados Unidos e agora, no Brasil. Por e-mail, John Grogan,
autor de "Marley & Eu" (ed. Prestígio, 272 págs), concedeu a seguinte
entrevista à Revista.
A que você atribui o sucesso de seu livro?
Acredito que "Marley & Eu" é um sucesso não porque é um livro de cachorro,
mas sim porque trata de tópicos familiares e revela o papel do bicho de
estimação na formação de uma família. Há algo de universal na relação
humana-canina, e eu toquei nisso. A maioria dos filmes e livros fala do cão
perfeito, mas as pessoas têm cachorros cheios de defeitos e os amam mesmo
assim. Eu escrevi sobre um desses cães.
Se Marley pudesse contar sua versão da história, o que
ele mudaria?
Eu acho que Marley ressaltaria que seus donos eram jovens e inexperientes
demais como donos de cachorros, embora eles tivessem a melhor das intenções.
Que eles poderiam ter dado mais treinamento e reforçado suas boas maneiras.
Marley era arredio, de difícil controle, mas acredito que em mãos mais
competentes, ele provavelmente teria tido um comportamento melhor.
Ter bicho de estimação faz diferença na vida?
Cachorros têm incríveis qualidades inerentes a eles que os homens se
esforçam para desenvolver, como lealdade, devoção, comprometimento e
capacidade de perdoar. Ter cachorro melhora as relações humanas.
Você
tem bicho de estimação atualmente?
Tenho. Nove meses após a morte de Marley, minha família trouxe para casa
uma labrador fêmea amarela e a batizaram de Gracie. Ela é muito dócil,
quietinha e bem comportada. E um pouco entendiante também. Isso não daria uma
boa história. Disse a ela: "Gracie, você é uma ótima cadela, mas não espere
que eu escreva um livro a seu respeito".
Embora seu livro seja uma declaração de amor a Marley,
você o descreve como "o pior cão do mundo". Por quê?
Nunca acreditei verdadeiramente na minha própria declaração de que ele era
"o pior cão do mundo". É mais apropriado dizer que Marley era o cão mais
incontrolável e com a maior energia do mundo. Mas ele tinha o coração puro e
nos presenteava com muito amor, lealdade e total devoção.
Você tem a intenção de se manter na área de pets,
continuar escrevendo sobre eles?
Certamente quero continuar a escrever livros, não especificamente sobre
pets. Como disse, eu não tive a intenção de escrever um livro de pets com "Marley
& Eu". Futuramente, pretendo voltar a escrever sobre coisas que estão no meu
coração, sejam as que envolvam pets ou não.
Foi lançado no Brasil o livro “Marley & Eu” de John Grogan.
Ele foi um sucesso tão estrondoso que está em 1° lugar na lista de não-ficção
da revista VEJA há 10 semanas. E não é para menos, o livro conta a história do
próprio autor e de sua esposa junto a um labrador completamente aloprado, mas
ao mesmo tempo super carinhoso e apaixonante. Certamente você conhece muitos
cães parecidos com o Marley! Além disso, você vai se identificar com a
história deles em várias situações, pois todos nós já passamos por coisas bem
parecidas quando resolvemos ter um cão.
A história começa com a escolha do filhote, e conta a luta
deste casal para controlar o comportamento deste cão absolutamente
voluntarioso e imprevisível. Paralelamente o autor conta as várias fases do
seu casamento enquanto eles vão se esforçando para formar uma família, a
começar pela aquisição do cão.
Não faz diferença se você tem um cão tão agitado e doido
como o Marley; se tem um cão super bonachão, ou mesmo um cãozinho “de madame”:
certamente você se identificará com o autor imediatamente, e terá dificuldades
em largar o livro. A narrativa é muito gostosa, e levará você das gargalhadas
às lágrimas em instantes. Não perca!
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