|
Com a
proximidade das Olimpíadas,
Atenas tenta controlar seus cães
Enquanto luta para
completar sua odisséia de preparativos pré-Olimpíadas, essa confusa cidade
se encontra pressionada a provar mais do que sua habilidade em pavimentar
ruas, plantar arvores e embeleza monumentos.
Ela tem de mostrar que não
foi tomada por cachorros. Eles são legiões, e eles são desenfreados. Eles
vagam pelas praças públicas, abanando os rabos ou mostrando os dentes,
dependendo de sua disposição e da proximidade de donativos de carne.
Cachorros errantes acumulam-se nos portais dourados das elegantes butiques
como porteiros peludos e de quatro pernas com um desejo cru por restos de
refeições.
Em um incidente
infeliz e amplamente divulgado no último verão, um cachorro mordeu um
técnico de arco e flecha ucraniano que estava em Atenas por eventos de
testes olímpicos e saiu para correr.
A ferida não foi
séria, exceto pela imagem suja de Atenas e seus arredores, cujos zeladores
tentam agora, em uma maneira pode ser descrita como teimosa, domar a
situação.
Há apenas alguns
meses, o governo nacional promulgou uma legislação com o objetivo de
reduzir a população canina nas ruas dando mais responsabilidade aos
gregos, com requisitos de registros de animais de estimação mais rígidos e
multas duras por abandonar animais nas ruas.
Aparentemente, as
pessoas aqui fazem isso com alguma regularidade, o que as autoridades
municipais descrevem como a principal fonte do problema.
Atenas, de sua parte,
está delegando cerca de US$ 2 milhões neste ano em abrigos de animais,
novos agentes de controle animal e um grande projeto de esterilização. Cão
por cão, eles estão sendo presos, castrados e então - se não foram
adotados em duas semanas - são libertados para vagar em uma maneira nova,
mas menos reprodutiva.
As autoridades
municipais admitiram que tais esforços combinados não serão eficazes o
bastante para fazer uma grande diferença até o início dos Jogos Olímpicos
em 13 de agosto, mas eles dizem que pode haver algum benefício.
"A cidade está
tentando mudar", disse Tonia Kanellopoulou, vice-prefeita responsável por
administrar os animais de rua. Isso te tornou na verdade uma tarefa
especialmente designada e um trabalho quase integral.
Atenas não é a única
capital européia com animais abandonados em excesso, nem é a primeira
anfitriã das Olimpíadas a ter de lidar com um problema relacionado a cães
antes de ser o centro das atenções internacionais.
Há muito tempo,
Bucareste é famosa por seus caninos errantes, e Seul teve de tirar a
comida par cachorro dos cardápios dos restaurantes em respeito à
sensibilidade de muitos atletas e espectadores das Olimpíadas de 1988.
Porém, a situação em
Atenas tem o seu próprio drama especial, em parte porque os gregos exibem
um leque tão amplo e complicado de reações aos cães da sua cidade.
Muitos gregos não só
toleram, como também admiram os cachorros por serem sobreviventes leais e
improváveis, que é a maneira como grande parte dos gregos vêem a si
mesmos. Mas pelos menos alguns pensam de forma diferente, e esse conflito
de visões causou mortes misteriosas, acusações insidiosas e truques para
chamar atenção em lugares distantes.
Por exemplo, um
defensor dos direitos dos animais colocou uma fantasia de cachorro e se
prendeu a uma cruz de 3 metros do lado de fora da Embaixada da Grécia em
Berlim em dezembro passado. O ativista estava protestando contra o que
alguns grupos de bem-estar animal fora da Grécia disseram que era um
envenenamento em massa de cães de gatos de rua que fora ordenada por
autoridades gregas que queriam os animais fora do caminho antes das
Olimpíadas.
As autoridades gregas
negaram tal massacre, e diversos grupos proeminentes de direitos dos
animais aqui classificaram as acusações de exageradas e não-comprovadas.
Contudo, eles
disseram que há pouco mais de um ano, quando a Grécia assumiu a
presidência rotatória da União Européia, e previa-se a chegada de mais
dignitários estrangeiros, dezenas de cães e gatos abandonados sumiram dos
parques e praças nas quais tais políticos poderiam passar.
Em pelo menos um
caso, afirmam os ativistas, foram achados cadáveres, ao lado de
contêineres de veneno.
"Aquilo foi
organizado", disse Carol McBeth, diretora do Fundo Grego de Bem-Estar
Animal, referindo-se às mortes. Porém, acrescentou McBeth, "Nós sabíamos
que a cidade de Atenas não estava envolvida. Nós sabíamos que o Ministério
da Agricultura não estava envolvido".
O caso nunca foi
solucionado, mas os grupos estrangeiros de bem-estar animal causaram
alvoroço, e as autoridades gregas confrontaram um inesperado pesadelo de
relações públicas.
"Este é o lado mais
fascinante de ser prefeita", afirmou a prefeita Dora Bakoyanni, que
assumiu o cargo em janeiro de 2003.
"Você tem os mais"
ela continuou - e aqui ela parou a sentença para procurar pelo adjetivo
certo - "diferentes problemas".
Perto do final do ano
passado, Bakoyanni decretou que ao mesmo tempo em que a cidade
esterilizaria os animais de rua, ela não mataria nenhum, nem os doentes,
que seriam tratados em abrigos e clínicas.
Atenas está coberta
por uma aura de compaixão, uma aura que os assessores de Bakoyanni fizeram
questão de mencionar, em uma mensagem de email, que até o cachorro da
prefeita, Manga, é um antigo cão abandonado que "parece acreditar que tem
sangue real e age como se fosse o rei da casa".
Gianna
Angelopoulos-Daskalaki, presidente do comitê local que está organizando as
Olimpíadas, disse que ela adotou duas cadelas abandonadas no último verão.
Afrodite, disse ela é loira, e Olga é morena.
Muitos outros
atenienses tomam conta dos animais de rua de seus bairros, dando comida a
eles e até, em alguns casos, colares anti-pulga. A maioria dos animais
parece dócil e surpreendentemente bem-acostumados à vida nas ruas.
"É como se alguém os
tivessem deixado sair, como se eles fossem cachorros-chave", afirmou
McBeth. "Alguns deles poderiam realmente se beneficiar de uma dieta".
Fonte:
Reuters/IG Dog
|