Cada vez mais os
cães assumem um lugar de importância na vida do homem. Seja como simples
companheiro de caminhadas, seja como guardião de propriedades ou, ainda,
utilizando seus instintos ancestrais de caça no pastoreio de rebanhos.
Muitas raças foram desenvolvidas para atuar no trabalho com o rebanho,
como o Collie, o Pastor de Sheatland, o
Old English Sheepdog e, claro, o
Pastor Alemão. No entanto, com o passar do tempo e com a tendência a serem
utilizadas como cães de companhia ou guarda, muitas delas foram ficando ‘enferrujadas’
no que tange aos seus instintos primários.
Por
outro lado, outras raças mantiveram-se na ‘ativa’ e por isso se destacam
atualmente como excelentes cães de trabalho: o Border Collie (BC) que
é um cão com capacidade de trabalho comprovada, tanto no trabalho com
ovelhas quanto com bois. E o Australian Cattle Dog (ACD), que é
chamado também de Blue Heeler ou Red Heeler, de acordo com a variedade, e que
é especialista no trabalho com rebanhos bovinos.
A eficiência destes cães é diretamente proporcional à conservação do
instinto de pastoreio de seus antepassados, os lobos, que na caça apartavam
os membros mais fracos dos grupos de herbívoros e depois os caçavam e
comiam. É por causa disso que, como certamente a grande maioria das pessoas
vai se lembrar, que no filme Babe – o Porquinho Trapalhão, as ovelhas se
referiam aos cães pastores como ‘lobos’. Elas sabiam o que estavam
falando!
Foi
a através do estudo e compreensão da forma como os cães e os lobos
caçavam, que o homem pode iniciar a seleção dos cães que melhor se
adaptavam a este estilo e, a partir deles, produziu raças ‘modernas’ com
o objetivo de que trabalhassem arrebanhando, conduzindo e, principalmente,
não agredindo os rebanhos, já que a comida é fornecida pelo homem.
No caso das raças pastoras, menos importante do que os padrões
estéticos, as criações buscam produzir filhotes saudáveis com extremo
potencial de trabalho e a seleção dos reprodutores é feita basicamente
levando em conta o histórico familiar de aptidão ao trabalho de pastoreio.
O
treinamento, que começa aos doze meses, consiste em fazer a parceria com o
cão, para que ele trabalhe para nós. Antes de se iniciar o trabalho com o
rebanho (qualquer que seja o cão ou o rebanho) é fundamental que o cachorro
não receba o adestramento básico de obediência tradicional. Antes disso, o
cachorro vai ser submetido a alguns testes para vetificar suas aptidões de
pastor e no máximo, será ensinado a atender ao comando AQUI.
Cada raça tem um ‘estilo’ de pastoreio. No caso do Border, os
exemplares têm como principal característica de trabalho o
"trazer", ou seja, ele dá a volta e coloca naturalmente, o rebanho
entre o cão e o condutor.
Já no caso do Blue Heeler, a principal característica é de atuar como
"empurrador", ou seja, ele se coloca naturalmente voltado para o
rebanho e de costas para o condutor.

O adestramento consiste em colocar "comando" nos movimentos
naturais destes cães para que, sob a ordem do condutor o cão leve o rebanho
ao lugar desejado, não importando se empurrando ou trazendo.
Os cães devem ser
ensinados a executar os movimentos básicos: cercar o rebanho no sentido
horário e anti-horário, deitar, parar, andar, morder. Para que o cão
execute corretamente cada um desses comandos há a necessidade de um intensivo
treinamento não apenas do cão mas também de seu condutor, já que é
fundamental que ambos saibam exatamente o seu papel durante a jornada de
trabalho.
O tamanho do rebanho pode variar muito e já existe uma raça especializada
em latir, no trabalho com grande rebanhos, para avisar aos animais da frente,
que existem cães pastores trabalhando lá atrás!
O cão de pastoreio pode ser encarado como um bom e barato implemento
agrícola! Um funcionário que não falta no serviço, não tem férias, não
tem encargos sociais, não reclama e ainda ama o patrão!!!!
Wagner Ávila
Criador e adestrador de cães BC e ACD