| RICARDO
GIRALDEZ |

Alergia de
Camila diminuiu depois que a mãe, Vivian, lhe deu Chobi |
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Se você fosse um náufrago e só encontrasse
uma ilha deserta para sobreviver, quem gostaria que fosse seu companheiro? Se pensou em
seu cachorro ou gato, não imagine que é loucura. Um recente estudo realizado nos Estados
Unidos mostrou que 57% dos donos de animais gostariam mais de ter seus bichos a seu lado
do que um ser humano. Tamanha paixão tem resposta. Além de ótima companhia, os animais
domésticos possuem um amor incondicional. Não importa o que se faça ou diga, ele venera
seu dono como ninguém. Mas não é só afeto que ele oferece. Inúmeras pesquisas apontam
que cães, gatos, passarinhos, peixes e outros animais trazem benefício à saúde. Um
desses estudos, publicado na revista especializada Aids Care, dos Estados Unidos,
mostrou que pacientes com Aids que possuíam um animal de estimação tinham menos chance
de sofrer depressão do que aqueles que não possuíam bicho algum. Mesmo quem não tem
nenhuma outra doença, mas sofre de depressão, pode se beneficiar com a companhia de um
bicho. Cuidar de um cachorro é uma ocupação, explica a psicóloga e
veterinária Hannelori Fuchs, de São Paulo. Tem que dar banho, comida e sair para
passear, o que favorece um contato social. Isso tudo ajuda a sair da apatia,
completa. |
| Influência - Estudiosa
do assunto nos seus 45 anos de profissão, Hannelori sempre observou a influência do
animal dentro de uma família. Notava o quanto se guardava o luto quando o cão ou gato
morria e as crianças que chegavam a adoecer sem seu bichinho de estimação. Por isso,
há três anos resolveu fazer um trabalho voluntário que é uma verdadeira preciosidade.
Leva animais para brincar com crianças deficientes do Lar Escola São Francisco, em São
Paulo, e para fazer companhia aos doentes do Hospital da Criança, também na capital
paulista. Nicolas Maciel da Silva, seis anos, internado no hospital às pressas por causa
de uma intoxicação por remédio, adorou ser visitado pelos bichinhos. O garoto estava de
cama, recebendo soro e bastante amuado com o susto. Assim que a psicóloga e a sua equipe
apareceram no quarto ele mudou de ânimo e deixou transparecer um gostoso sorriso no
rosto. Adorei os coelhos, disse. Quando voltar para casa vou querer um
para ver ele pular e poder correr atrás. A especia-lista, por sua vez, explica:
Os pequenos se soltam e é possível notar uma melhora física e mental.
No rastro dessa idéia, o zootecnista Alexandre Rossi começou há
alguns meses a levar cachorros em asilos e nas casas de apoio do Hospital das Clínicas de
São Paulo para brincar com crianças que sofrem de câncer. Essas instituições abrigam
crianças doentes cuja família em geral não tem como mantê-las. Quando o cachorro
chega, é uma festa. As crianças e os velhinhos ficam visivelmente mais felizes,
afirma Rossi, que também é especialista em comportamento animal. Alegria, como se sabe,
aumenta os níveis de endorfina no organismo. Essa substância, que é nosso calmante
natural, influi no sistema de defesa do corpo, deixando o paciente mais fortalecido.
Dessa maneira, reage-se melhor às doenças. O cachorro também ajuda de uma maneira
indireta. Muitos velhinhos não recebem visitas de parentes e o animal é um elo com o
mundo Exterior. Muitos chegam a escrever cartas para o cachorro, afirma o
zootecnista.
Convívio - A prova de que os animais
são benéficos à saúde está numa pesquisa encomendada por uma companhia de seguro
australiana. Os empresários queriam saber se, de fa-to, os donos de cachorros tinham uma
saúde melhor. Constatou-se que os pacientes que cuidavam de um cão gastavam 16% a menos
de medicamentos e saíam dois dias antes dos hospitais do que doentes que não mantinham
contato com bichos. Outro estudo, publicado no American Journal of Cardiology mostrou
que o convívio com animais ajuda a controlar o stress, diminui a pressão arterial e
reduz o risco de problemas cardiovasculares.
Para as crianças, brincar com bichos também
é positivo até mesmo quando são animais de fazenda. Uma pesquisa realizada no final de
1999 na Áustria mostrou que os pequenos que brincam com vacas, galinhas, porcos e ovelhas
têm menos chance de desenvolver alergias e problemas respiratórios, como a asma. A
explicação? O contato aumenta as células de defesa e deixa o corpo mais tolerante a
bactérias e ácaros. Provavelmente foi o que aconteceu com a menina Camila Benedetti, dez
anos. Ela tinha crises alérgicas constantes e a mãe, Vivian, tentava controlar com
medicamentos. Camila insistia que queria um cachorro. Eu relutava, conta
Vivian. Tinha medo que o pêlo desse mais alergia ainda. Mas em uma das suas crises
fortes, eu e meu marido resolvemos dar um cachorro a ela, completa. Em pouco tempo,
as crises diminuíram e hoje ela só tem rinite quando o tempo muda. A Camila disse
que depois do Chobi nossa casa está mais cheia de amor, diz Vivian.
Mas não dá para comprar qualquer bicho,
achando que ele vai se adaptar ao estilo de vida dos donos. Os cachorros, principalmente,
têm características específicas e são muito sensíveis à dinâmica da família. É
essencial conhecer as características do animal, senão o tiro pode sair pela culatra.
É importante escolher um bicho adequado ao estilo de vida de cada um. Por isso, se
possível, é bom consultar alguém que entenda do assunto antes de adquirir o cão,
diz o veterinário Mauro Lantzman, especialista em comportamento animal. Um conselho
precioso para quem está pensando em ter uma companhia delicio-sa como essa. Mesmo que
não seja para viver isolado numa ilha deserta. |