A
história do
American Pit Bull Terrier tem a mesma raiz da do
American Staffordshire Terrier, sendo comum a afirmação de que se trata
de um mesmo cão que seguiu caminhos diferentes a partir do desenvolvimento da
cinofilia que trouxe um novo foco para a criação de cães: as exposições de
conformação. Foi este enfoque que traçou os rumos da posterior divisão das duas
raças, colocando de um lado os criadores que buscavam um maior aprimoramento da
beleza e estrutura física dos cães e ao mesmo tempo uma diminuição da
agressividade dos cães e que trabalharam para o surgimento do o American
Staffordshire Terrier e, de outro os criadores que procuravam cães que fossem
valorizados por características essenciais a um bom lutador: coragem,
agressividade, resistência, capacidade de lutar e morder.
As duas raças possuem
como ancestral comum o Staffordshire Bull Terrier,
uma raça bastante antiga, cuja origem está vinculada à região de Staffordshire
na Inglaterra. Estes cães, extremamente versáteis e populares, foram
introduzidos nos Estados Unidos pelos imigrantes ingleses e viraram grandes
estrelas das rinhas que ganhavam muitos adeptos no final do século XIX. A
chegada dos cães aos Estados Unidos, no entanto, marcou também o início da
transformação do Staff Bull no American Staffordshire Terrier, que teve seu
tamanho aumentado graças aos acasalamentos promovidos pelos criadores, que
buscavam um cão maior e mais forte. Apesar desta antiguidade, só foi aceito como
raça independente em 1936. Um dos primeiros cães a serem aceitos pelo AKC foi
Pete the Pup, (nome ‘verdadeiro’ de Lucenay's Peter) e que ficou muito famoso
como personagem do seriado cômico "Our Gang" no início dos anos 30.
Em 1835, com a
proibição das rinhas, é que deu-se realmente a dissociação entre os criadores e
a partir daí surgem o American Staffordshire Terrier e o American Pit Bull
Terrier. Em 1898 o United Kennel Club (UKC) reconheceu o primeiro exemplar da
raça e em 1909 foi fundado nos Estados Unidos a ADBA (American Dog Breeders
Association), uma associação exclusiva de criadores da raça Pit Bull. Estas
entidades independentes do American Kennel Club foram as principais responsáveis
pelas diretivas para aqueles que pretendiam manter o Pit Bull "original",
privilegiando seu temperamento valente e determinado.
Se de
um lado foi justamente este temperamento valente e determinado que fez crescer o
interesse pela raça por criadores sérios e conscientes, de outro atraiu uma
legião de criadores e proprietários desinformados e irresponsáveis que
incentivavam comportamentos extremamente agressivos e que não tinham qualquer
controle sobre seus cães. Esses cães - descontrolados e que não possuíam as boas
qualidades de temperamento dos Pit Bulls protagonizaram inúmeros acidentes
graves e colocaram a raça na berlinda, sendo alvo de inúmeros protestos e
ensejando a criação de leis completamente absurdas que propunham a simples
extinção da raça.
Apesar da
crescente popularidade destes cães, nenhuma das três grandes entidades cinófilas
internacionais - AKC, The Kennel Club (Inglaterra) e FCI (à qual o Brasil é
filiado) reconhecem o Pit Bull. Enquanto os American Staffordshire Terrier podem
receber registros como Pit Bull o inverso não é possível. No Brasil, onde a CBKC
criou um Grupo especial para as raças não reconhecidas pela FCI, os Pit Bulls
recebem um pedigree diferenciado, procurando preservar o trabalho dos criadores
e incentivar a presença destes cães nas exposições de Beleza.
No Brasil, os
primeiros núcleos e tentativas dos criadores da raça de se organizar para
proteger a raça começaram em 1996. De lá para cá muitos clubes regionais foram
criados com o objetivo de disseminar informações corretas sobre a raça, promover
atividades como os Game Dog, e organizar o registro dos filhotes.
 
O Pit Bull é um cão extremamente forte e resistente, ágil e
determinado. Muito fiel ao seu dono e às pessoas da casa, é um cão que aprende
com relativa facilidade mas que, como bom membro da família dos Terriers pode
ser bem teimoso.
Apesar de se caracterizar pela valentia e pela determinação, o
Pit Bull não deve ser agressivo com as pessoas da casa e mesmo com estranhos
deve se mostrar calmo e equilibrado caso não haja ameaça real ao seu dono.
A
aptidão que apresenta para os esportes fizeram com que as entidades ligadas à
raça desenvolvessem provas específicas que visavam promover e incentivar a
criação da raça nos seus melhores atributos. Atualmente existem diversos clubes
que organizam eventos específicos como o Game Dog que envolvem provas de
resistência, força e agilidade. Além disso, os Pits são especialmente indicados
para proprietários dispostos a ter uma rotina de exercícios. Pode se dar muito
bem como praticante de agility ou apenas como acompanhante em corridas diárias e
cooper.
Já o convívio com outros cães, inclusive os da própria raça, é
quase impossível, mesmo que hajam variações de acordo com as linhagens
envolvidas. De maneira geral considera-se viável manter 2 pits juntos desde que
seja de sexo diferente e que, de preferência, convivam desde cedo.
Por
seu alto grau de atividade não se adapta bem a pequenos espaços e pode mesmo
chegar a desenvolver distúrbios como depressão e comportamentos destrutivos. O
ideal é que tenha espaço, companhia do dono e muita atividade para que possa ter
uma vida saudável.
De maneira geral, são cães bastante dominantes – provável
herança do seu ancestral inglês – e por essa razão devem ter donos muito
experientes e, sobretudo, responsáveis. Aulas de adestramento são fundamentais
para que o proprietário tenha um cão equilibrado e, principalmente, controlável.
Não se deve esquecer da influência fundamental do ambiente sobre o cão: na
grande maioria das vezes a culpa de um cão ser agressivo é justamente do
proprietário que não soube se impor e educar o cão.
São bastante tolerantes com crianças, mas até em função de seu porte físico,
não devem ser deixados sem supervisão uma vez que durante as brincadeiras podem
vir a derrubá-las.

Como todo terrier, os Pits devem ser estimulados à obediência desde cedo,
caso contrário podem desenvolver um traço forte de personalidade dominante e
sair do controle do dono. Também é fundamental que se promova a socialização do
filhote não apenas com pessoas diferentes como também com outros cães.
O adestramento básico de obediência é quase obrigatório
para os cães que possuem estas características de dominância e atividade e de
maneira geral os resultados aparecem tanto mais rápido quanto maior for o
envolvimento do dono no processo de treinamento.
Como os adultos, os filhotes são muito resistentes e cheios de disposição. No
entanto, é importantíssimo que o cão tenha um desenvolvimento adequado do ponto
de vista de exercícios compatíveis com sua idade. É fundamental que o
proprietário evite sobrecargas de exercícios e, naturalmente, não faça uso de
substâncias anabolizantes que podem comprometer o desenvolvimento do filhote
além de comprometer suas funções hepáticas e renais. Um cão musculado não nasce
da noite para o dia e o trabalho envolve um programa bem estruturado de
exercícios de preferência com acompanhamento de veterinários.
 
O Pit Bull não é um cão que
preocupe muito seus donos com relação à sua saúde. Além de seu pelo curto exigir
poucos cuidados para se manter limpo, não há registros de problemas específicos
da raça.
Como todas as raças de
crescimento rápido e forte musculatura, pode apresentar
displasia coxo-femural. Caso vá adquirir um filhote, dê preferência
aos criadores que façam controle de displasia dos pais e que tenham sido
aprovados pelas radiografias.
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