Transportando o seu cão - Cães e Gatos no Ar


Na hora de viajar com a família muita gente nem pensa duas vezes: inclui nos planos o animal de estimação, mesmo que a viagem em questão seja aérea. O que muitos ainda não sabem é que o cachorro ou gato, tal qual qualqueroutro passageiro, precisa ter uma documentação específica para embarcar, que inclui atestado de saúde, carteira de vacina atualizada e autorização do Ministério da Agricultura. Muitas vezes também é preciso visto consular para retornar ao país.

Ao contrário do que se pode supor à primeira vista, o número de viajantes de quatro patas é bastante significativo. O serviço de sanidade animal da delegacia do Ministério da Agricultura em São Paulo - o órgão público responsável pela emissão das autorizações para transporte de cães e gatos nas aeronaves - já emitiu 700 autorizações para viagens internacionais nos primeiros quatro meses deste ano.

Para vôos domésticos, o serviço estima que o número de permissões esteja em torno de 1.200 nos primeiros 120 dias de 2000. 'Para obter a autorização é preciso apenas o atestado de saúde emitido pelo veterinário há, no máximo, três dias e a carteira de vacina contra raiva, a primeira dose tomada há pelo menos 30 dias', esclarece o chefe do serviço de sanidade, Odenilson Mossero. A presença do animal não é necessária.

A sede do órgão em São Paulo fica à rua 13 de maio, 1558, 3º andar, mas a autorização também pode ser obtida no posto do Ministério da Agricultura localizado no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Os responsáveis pelo serviço advertem, entretanto, que os donos não devem deixar as providências para a última hora. Como a autorização tem validade de oito dias, os funcionários do posto em Guarulhos aconselham que o certificado de permissão seja pedido na véspera ou 48 horas antes da partida.

Na hora da volta, o dono deve atender às exigências do país onde vai embarcar em relação à documentação e ainda passar no consulado brasileiro para obter um visto consular para o animal.

Mossero lembra que há mais de uma centena de veterinários credenciados pelo Estado a fornecer a Guia de Trânsito Animal, o documento que permite o trânsito interestadual dos animais domésticos. 'Obter o documento junto ao veterinário é mais prático para todas as partes envolvidas', enfatiza.

Por muito tempo, a necessidade de deixar o animal de estimação em quarentena ao entrar em um país estrangeiro desestimulou os proprietários. Entretanto, um acordo internacional do qual fazem parte países como Estrados Unidos, Canadá, França, Itália, Espanha, Portugal, Argentina e Brasil dispensou cães e gatos de passar 40 dias isolados em abrigos na alfândega para provar que eram saudáveis. 'Há vários países que ainda exigem a quarentena como, por exemplo, Austrália, África do Sul e Inglaterra', adverte Mossero.

Além de apresentar a documentação exigida pelo governo, os proprietários de cães e gatos devem obedecer às regras fixadas pelas companhias aéreas. Elas exigem que os animais sejam transportados em contâineres de dimensões compatíveis com o porte do animal e que lhe permitam ficar de pé e dar uma volta completa. Além disso, a caixa de transporte deve ser revestida de material absorvente. Não exalar cheiro e estar sedado são requisitos fundamentais para que o animal embarque, tanto na cabine quanto no porão (que é pressurizado e aquecido). 'A preocupação maior é sempre não incomodar os outros passageiros com latidos, miados ou cheiros', explica a agente de atendimento ao passageiro da Swissair, Sylvia Silva.

Para levar os animais na cabine, o planejamento deve começar mais cedo. 'No ato da reserva, o passageiro já deve informar que pretende levar o animal a bordo, pois a companhia não permite mais de um animal por cabine', informa Sylvia Silva. Só animais realmente pequenos podem ir na cabine com o dono. Na Swissair, o tamanho da caixa de transporte não pode ultrapassar 41 cm de comprimento por 36 de altura e 33 de largura. 'Essas dimensões são definidas pelo espaço disponível para acomodar a caixa', diz.

As regras em relação ao número de animais por cabine variam um pouco conforme a empresa aérea. Na United Airlines só é permitido um animal por passageiro e os bichinhos de estimação jamais são permitidos na primeira classe. 'Quase diariamente temos passageiros que viajam acompanhados de animais', afirma a agente responsável pelo atendimento especial da empresa, Mônica Tanigawa. Segundo ela, o embarque dos bichinhos costuma ocorrer com tranqüilidade. Os problemas só acontecem quando a documentação está incompleta ou inválida', diz.

Quanto ao preço da passagem do companheiro de quatro patas, a regra é que o peso do animal dentro do contâiner seja cobrado como excesso de bagagem (mesmo que a franquia não tenha sido atingida). Cada quilo de excedente custa 1% do valor do trecho aéreo em tarifa de classe econômica integral.

Além disso, os animais precisam de atenção especial para viajar de avião. 'Para muitos animais, o estresse de ficar sozinho em casa ou simplesmente longe do dono é muito maior que o desgaste de voar', afirma a veterinária Mônica Lippe de Camilla. Entretanto, na opinião da veterinária, é o bom senso que deve ditar em que viagem o felino, cãozinho ou cachorrão vai acompanhar o dono. 'No caso das ausências curtas (de uma semana ou menos) e de distâncias grandes (mais de quatro horas de vôo) talvez a melhor solução seja deixar o animal em um hotelzinho', opina Mônica. Mas a veterinária faz uma ressalva: esses parâmetros variam muito conforme a personalidade e as reações de cada animal e não se relacionam com idade, tamanho ou raça. Funciona como em relação às pessoas: enquanto alguns são mais sensíveis à altitude ou sentem mais a mudança de fuso horário, outros reagem à mudança de temperatura. Outra recomendação: o dono tem de levar em consideração que a pelagem do animal varia conforme as estações do ano do meio onde o animal vive. Por exemplo, quem pretende levar um cão do verão brasileiro para o inverno europeu, deve levar roupas para proteger o animal até que sua pelagem se adapte.

Quanto à sedação do animal - exigência das companhias aéreas - a veterinária vê mais vantagens que desvantagens. 'Dormindo o bichinho não sente ansiedade, tédio ou a sensação de confinamento por estar na gaiola', diz Mônica. Ela adverte que geralmente no dia seguinte à sedação o cachorro pode estar um pouco menos vivaz que de costume. E recomenda que o comprimido de sedativo seja dado após uma refeição. Para cães maiores em trajetos mais longos, uma injeção pode ser a melhor indicação. Para quem quer levar seu bichano numa viagem, Mônica avisa: os gatos persas, que são naturalmente bonachões, normalmente sofrem menos estresse que os siameses, ansiosos atávicos. A veterinária também lembra que é bom ir adaptando, aos poucos, o animal à gaiola em que vai viajar. 'Isso faz com que o choque da viagem seja menor', completa.

Matéria publicada no jornal Gazeta Mercantil, 05/05/2000 Fim de Semana p. 22

 

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