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Tristão, Isolda e seus cães
Na corte do rei Marcos, Tristão havia criado um cão Brachet [braco], ao qual chamara Husdent. Quando Tristão e Isolda foram esconder-se numa floresta, Husdent sofreu, "fechado na torre com as patas amarradas; ali, gania, escavava, gemia e arranhava o chão, olhando em todas as direções. Recusava o pão e toda a comida. Gemia, raspava o chão e desfazia-se em choro. Todos os que o viam se compadeciam da sua infelicidade". (Tristão e Isolda, versão de Alicia Yllera, Alianza Ed., 1992). Alguns barões suplicaram a Marcos que o soltasse. O rei pensava que Husdent estivesse com raiva, mas, quando o soltaram não atacou ninguém. Ao contrário, correu como uma seta, em busca de Tristão, a quem não demorou a encontrar. Entrando numa capela pela porta, saltou por cima do altar e saiu por uma janela. Depois desceu, contornando um barranco, até que, finalmente, se embrenhou pela floresta. Os cavaleiros que o haviam seguido, desistiram então. O Fiel Husdent Tristão e Isolda ficam aflitos com os latidos do cão; temem que o tenham seguido e que o rei os encontre. Husdent está louco de alegria: "Ao reconhecer o dono, levanta a cabeça, abana a cauda, revolve-se e pula de alegria. Depois salta sobre a loura Isolda e Governal [escudeiro de Tristão]. Até ao cavalo faz carinhos". Mas Tristão continua inquieto; acredita que os latidos do cão vão colocar o rei na sua pista. Com muita pena, resolve matar Husdent, mas Isolda não permite: o Braco irá servir para caçar os animais de que se alimentam os proscritos - desde que o faça em silêncio. E Tristão treina-o para essa tarefa. Tempos depois, Marcos aceita de novo Isolda, mas Tristão precisa exilar-se. Isolda pede-lhe que lhe deixa Husdent. Assim, sempre que olhar para o cão, irá lembrar-se dele. Em troca, dá-lhe um anel de jaspe verde. O Maravilhoso Petit-Cru Refugido no País de Gales, no castelo do duque Gilán, Tristão conhece Petit-Cru, o extraordinário cão do seu anfitrião. Este cão encantado, que viera da lendária Avalon, fora oferta de uma fada. O seu nome referia-se ao seu pequeno tamanho, por uma graça dupla (petit, pequeno; [aura] cru, crescerá). A sua pelagem, de suavidade infinita, era multicolor: tinha o pescoço branco, o dorso cor-de-rosa e o ventre azul; um dos flancos era vermelho e o outro, amarelo, e todas aquelas cores pareciam dançar, transformando-se de uma maneira maravilhosa. Petit-Cru, trazia, no pescoço uma corrente de ouro com um guizo que, ao tilintar, fazia esquecer as infelicidades. Entretanto, Tristão matou o monstro que aterroziva o país e Gilán ofereceu-lhe o cão como recompensa, embora lhe fosse difícil separar-se dele. E Tristão, que queria dar esse cão fantástico a Isolda, enviou-o em segredo à sua amada. Isolda mandou construir uma casinha incrustrada de ouro e pedras preciosas para Petit-Cru, que dormia numa almofada de seda e ia com ela para todos os lugares. Nos momentos de tristeza, a presença do cãozinho consolava-a mas, para não ter nenhum privilégio enquanto Tristão vivia desterrado e triste, um dia tirou-lhe o sininho mágico do pescoço e jogou-o no mar. Quando Husdent, deitado em sua casinha, definhava com saudades de Tristão. Quando este voltou, disfarçado de louco, Isolda não o reconheceu. Mas ao ouvir o chamar de seu amo, o cão corre para ele, levanta a cabeça, esfrega o focinho contra seu peito, cava com as patas, lambe-lhe as mãos e late de alegria. E Tristão diz-lhe: " Você não me esqueceu. Você me acolheu muito melhor do que a dama por quem tanto sofri". Coleção "Nossos Amigos, Os Cães"
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